Amazônia: a língua dos Arara
'Mais estrangeiros publicam sobre a região do que brasileiros', diz linguista
Em 1987, o paulista Nilson Gabas Júnior, de 46 anos, se apaixonou por uma aula do mestrado em Linguística na Unicamp: línguas indígenas. Decidiu checar de perto o assunto. Pegou um ônibus de Campinas a Ji-Paraná (RO). Seu destino final era a Terra Indígena Igarapé de Lourdes e seu objeto de estudo, o idioma dos índios Arara.
Em três meses com os Arara, Gabas Júnior descobriu sua vocação. O interesse em continuar lá era grande, mas ele teve de retornar a Campinas para finalizar o mestrado, um estudo sobre a língua Arara. Em 1989, por meio do contato com o linguista americano Denny Moore, que havia conhecido na primeira de várias viagens a Ji-Paraná, viabilizou sua volta.
"O Denny conseguiu uma bolsa para mim no (Museu Paraense Emilio) Goeldi", lembra. Atual diretor do museu em Belém do Pará, onde ajuda na preservação das mais de 160 línguas indígenas do País, ele se queixa: "A Amazônia tem potencial de conhecimento grande e isso está sendo pouco aproveitado por nós. Mais estrangeiros publicam sobre a região do que brasileiros".
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