Brasil terá cultivo de quinoa
Cereal típico dos Andes poderá ser plantado nas Regiões Sul e Sudeste. Variedades estão sendo estudadas no Paraná
A quinoa (ou quinua nos países de origem, que tem o nome científico Chenopodium quinoa W.) é planta típica dos Andes, com relatos de cultivo de mais de 5 mil anos. No Brasil, onde ''em se plantando, tudo dá'', como escreveu Pero Vaz de Caminha, o seu cultivo surge como nova alternativa ao plantio de grãos, em regime de rotação de culturas e também como boa formadora de palhada no sistema de plantio direto.
Para isso, pesquisadores da Faculdade Integrado, de Campo Mourão (PR), estão desenvolvendo uma nova variedade adaptada para o Sul e Sudeste. Os estudos começaram em 2006 e deverão estar concluídos até 2010. ''A qualidade nutritiva e protéica da quinoa é extremamente superior à dos demais grãos'', diz o pesquisador Marcelo Gonçalves Balan. O alimento é considerado um dos mais completos do planeta pela FAO-ONU. Seus grãos são essencialmente destinados à alimentação humana, mas também servem à fabricação de ração para suínos e aves, sem contar que sua forragem serve para bovinos. Além disso, pode ser cultivada o ano todo, com colheita entre 80 e 145 dias do plantio.
O NOVO TRIGO
A quinoa foi introduzida no Brasil no começo deste século, pela Embrapa Cerrados, que a importou para a transformar no ''novo trigo'' do Cerrado, mas a planta não se adaptou à região, muito quente. Em 2006, no entanto, a Faculdade Integrado iniciou os estudos com a planta, com quatro populações distintas pesquisadas pela Embrapa Cerrados. ''Notamos sua elevada variação genética, em relação ao ciclo biológico, peso e tamanho das sementes, altura da planta e formato das folhas'', explica Balan. No ano passado, os pesquisadores selecionaram plantas com características e comportamentos desejáveis, numa área de 8 hectares.
FRIO E SECA
Nos experimentos, a quinoa mostrou-se tolerante a temperaturas abaixo de 2 graus e ao elevado período de estiagem. Para o plantio da cultura, são usados entre 5 e 10 quilos por hectare. ''O potencial da quinoa é elástico, podendo produzir de 1,5 a 8 toneladas por hectare'', diz.
Segundo Balan, a própria faculdade tem estrutura para produzir as sementes ao fim da pesquisa. Mas empresas fabricantes de sementes também poderão comercializar o produto. Balan indica ainda que a quinoa apresenta vantagens para a diminuição populacional do nematóide-das-lesões Pratylenchus brachyurus (Godfrey) Filipjev & S. Stekhoven, por ter uma cobertura vegetal menos suscetível a este tipo de nematóide de solo, comparando-se a outros tipos de cobertura vegetal.
Em 2 hectares, os pesquisadores do Paraná semearam 300 genótipos, que determinarão quais os melhores no desenvolvimento da primeira variedade da cultura. Para avançar nos estudos, dois pesquisadores foram conhecer de perto a produção de quinoa na Bolívia. Assim, eles tiveram mais informações para confrontar com os resultados da pesquisa brasileira. Para o futuro, Balan e seus colegas apostam que a quinoa terá o seu espaço na lavoura nacional e será uma alternativa adequada e rentável aos produtores.
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