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Brincar no verde

Paisagismo. Susana Bandeira, da Maria Flor, priorizou as crianças ao selecionar as plantas deste quintal

06 de março de 2011 | 16h 00
Marisa Vieira da Costa / REPORTAGEM

 

Em vez de um jardim tradicional, a proprietária de uma casa no Alto de Pinheiros pediu à paisagista Susana Bandeira um quintal para as crianças. Nascida e criada no interior, queria que os filhos, de 9, 7 e 3 anos, tivessem a oportunidade que ela teve de brincar ao ar livre. "Minha preocupação era dar a eles uma alternativa para o mundo eletrônico, oferecendo algo atrativo em troca", diz a proprietária. "Se a gente deixa, eles ficam na frente da TV e do computador o dia inteiro. Além disso, queria um lugar bonito e equipado com brinquedos divertidos."

Susana lembra que sua cliente queria um espaço com frutíferas, plantas com aromas e uma palheta de "cores de criança mesmo", que fosse do roxo ao branco, passando pelos vários tons de rosa. O casal havia comprado um imóvel antigo, que foi posto abaixo há pouco mais de dois anos para dar lugar a uma casa nova, toda voltada para o conforto dos filhos.

Idealizada pelo arquiteto Ararê Sennes, do escritório Vista Urbana, a construção é marcada por curvas, que aparecem na forma das janelas, nos muros de madeira de demolição e no conjunto de forno, bancada e mesa - todos de cimento - instalados no quintal. Nesse espaço ao ar livre, Sennes deixou pronto um desenho sinuoso no piso de pedra, que determinava trilhas para as crianças andarem de bicicleta e previa os caminhos que seriam preenchidos pela paisagista e também pelo engenheiro Lao Napolitano, que projetou os brinquedos e a casinha na árvore.

Rosa e amarelo. "Pensei em plantar espécies simples, que não exigissem muita manutenção", diz Susana, que foi tecendo o jardim em volta de duas árvores que já existiam no lugar: uma quaresmeira, que dá flores rosas, e um ipê amarelo. Para ajudar a compor o quadro, tipuanas, típicas das ruas do bairro, fazem divisa com o quintal.

A paisagista "bordou" o jardim com trepadeiras, como a thumbergia erecta e suas flores roxas, que acompanham o muro de tijolinhos à vista, e canteiros de sombrinha-chinesa, perto de uma pequena fonte, além de rosinhas caipiras, lavandas, quaresmeira rasteira e ipomeia, também em tons de roxo.

No centro do espaço, onde a protagonista é uma enorme joaninha vermelha e preta de brinquedo, distribuiu agapantos, liriopes, moreia-de-sombra e manacá-da-serra. "Escolhi espécies baixas para a parte central do espaço, a fim de que as crianças possam ser observadas enquanto brincam", explica a paisagista. "Também pensando nas crianças, dei preferência às plantas de textura macia, sem espinhos."

Para compor esse quintal de 130 m², de forma irregular, Susana posicionou, ao pé da quaresmeira, íris, bromélias, ripsalis e nandinas. Na forração, usou pacovás, dinheirinho-em-penca e grama - ora a esmeralda, ora a São Carlos -, junto com as pisadas de tronco de madeira e seixo rolado. Um jasmim-de-cheiro na divisa com a varanda perfuma a casa e o quintal. As frutas vêm da bananeira (que já deu cachos duas vezes) e da laranjeira.

A paixão da proprietária é a trepadeira sete-léguas: plantada no andar superior da casa, cai como uma cortina em frente à porta de vidro da sala. "Daqui ficamos olhando as crianças brincarem", conta a proprietária. "Nos fins de semana, elas trazem os amiguinhos e é uma festa só."

JOGANDO NO QUINTAL

O engenheiro civil Wenscelao Napolitano fundou, há 10 anos, a Lao Design e Engenharia Sustentável, que produz brinquedos ecologicamente corretos a partir de matérias-primas de origem certificada.

É ele o autor das atrações preferidas pelas crianças nessa casa no Alto de Pinheiros. Uma delas é a parede de escalada, de 2 m de altura, instalada na lateral da casa. A principal é a Cabana Bacana, casinha suspensa de 4 m x 4 m, que tem estrutura de troncos de eucalipto, com vigas de itaúba e piso de réguas de cumaru. Só a joaninha de mola, instalada em um canteiro, foi comprada pronta.

O conjunto conta ainda com um pergolado (que ajuda a sombrear o lugar), com um rolete de tambor reaproveitado para brincar de pedalar, com uma jangadinha de pneu de trator, também recuperado, para balançar, com uma tirolesa e com um cestão de cordas. Tudo foi feito sob medida. "À primeira vista, pode parecer apenas uma bela casinha suspensa", diz Lao. "Mas é só chegar mais perto para notar que se trata de um parque de diversões completo: dá para escalar, pedalar, balançar, se jogar na tirolesa."

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Tópicos: Casa, Paisagismo