Cafeicultores mecanizam 100% da lavoura
Já há maquinário para todas as operações no cafezal. Mão de obra escassa é o principal motivo da tecnificação
Para tentar suprir a falta de mão de obra e de olho nas vantagens econômicas, cafeicultores estão partindo para a mecanização de 100% da lavoura - do preparo de solo à colheita. No Brasil, a mecanização do cafezal é rotina no preparo de solo, adubação, calagem e aplicação de gesso, pulverização, roçada e transporte; consolidar a colheita mecânica é o que falta para que o processo fique completo. Segundo o agrônomo Ricardo Lima de Andrade, diretor da Cooperativa de Cafeicultores e Agropecuaristas (Cocapec), de Franca (SP), com atuação na região da Alta Mogiana, a mecanização total da lavoura depende de três fatores: grau de tecnificação da fazenda, topografia e tamanho da propriedade.
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Derriça na máquina: produtores que mecanizaram colheita garantem que há redução de custos totais
Critérios
"Deve-se avaliar se operações como adubação, pulverização e poda já são mecanizadas e se há disponibilidade de secadores; se o relevo e o arranjo das plantas permitem a entrada de máquinas e se a produção tem escala suficiente para compensar o investimento", diz. "Se não, pode-se adotar a semimecanização."
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"Comecei a mecanizar há 12 anos. Já tinha roçadeira, adubadora e pulverizadores, agora comprei uma colhedora", conta o cafeicultor Antonio José de Oliveira Costa, de Dois Córregos (SP). Ele e a mulher, Maria José Mattos de Oliveira Costa, possuem 200 mil pés de café em produção, em 44 hectares. Unindo adensamento e mecanização, Costa colhe 45 sacas beneficiadas/hectare, ante 15 sacas beneficiadas/hectare, que é a média do Estado.
Segundo Costa, a colheita manual é a mais cara - estima-se que 40% dos custos de produção. Na região de Franca, o custo de produção da lavoura, segundo o diretor da Cocapec, é estimado em R$ 8 mil/hectare; com a mecanização, o custo diminui até 40%. O produtor Costa é mais otimista. "A colheita mecanizada resulta em economia de até 60% no custo das operações", calcula, destacando que uma colhedora simples, com um operador, faz o trabalho de 40 pessoas.
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Pulverização: na propriedade de Antonio Costa, todas as operações no cafezal são mecanizadas
Além de reduzir custos com mão de obra, a mecanização da lavoura traz eficiência à fazenda, diz o gerente agrícola da Fazenda Conquista, do Grupo Ipanema Coffees, em Alfenas (MG), Eduardo Henrique Tassinari. "As operações, sobretudo a colheita, ganham agilidade, pois a máquina trabalha dia e noite." Na fazenda, adubação, pulverização, roçada, poda e colheita são mecanizadas.
Restrições
"Só não mecanizamos onde o terreno não permite, em áreas com mais de 20% de declividade", explica. "E, mesmo onde é mecanizado, às vezes a máquina não consegue retirar todos os grãos do pé. Aí tem de tirar na mão ou com derriçadora manual." Dos 3.500 hectares de café da fazenda, 70% da área é totalmente mecanizada; os 30% restantes compreendem áreas com topografia limitante e de plantas novas, mais sensíveis - segundo o gerente, colhedoras só entram no cafezal a partir da terceira colheita. "Mesmo nesses 30%, tem-se a semimecanização, com derriçadoras costais."
E, graças a essa agilidade, a produção de café ganha em qualidade, diz Tassinari. "A colheita é feita com o café no estágio ideal, com predominância de cereja; se houver risco de chuva, dá tempo de salvar a safra. Depois de colhido, o café vai rapidamente para o despolpador, para não fermentar; no terreiro, com a movimentação da pilha com um microtrator e outro amontoando a produção, ganha-se um dia", diz. "Reduzo o custo com mão de obra e ganho em qualidade."
40%
é a redução média nos custos da colheita com a adoção da mecanização
R$ 200 por hora
é o valor médio cobrado para alugar uma colhedora, com operador e transporte inclusos
20%
é o aumento médio anual das vendas de colhedoras de café de uma empresa do setor
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