Casa ou galeria
Fernanda Marques deixou este apartamento na medida para um casal que não vive sem arte
Tudo impressiona neste apartamento em Moema. Pela imponente porta pivotante cercada pelo hall de mármore se tem uma ideia de quão sofisticado, e também moderno, é o que nos espera lá dentro. "A porta já é um acontecimento e o hall reflete o piso por causa de um espelho de bronze na parede lateral", explica a arquiteta Fernanda Marques, responsável pelo projeto do imóvel de 450 m². No grande living, peças de design e obras de arte dão ar de galeria ao ambiente. "A grande sacada é você saber combinar as peças adequadamente, acertar as proporções para que o cliente faça um investimento e isso fique bonito."

O acervo foi ganhando peças novas conforme a obra evoluía, assim como o relacionamento dos proprietários. "Por ser um casal recém-casado, eles estavam montando a casa e a coleção. Estão começando uma história juntos e o bom é que os dois gostam de arte, arte boa." E, aqui, como há qualidade e quantidade, Fernanda delimitou espaços para não errar na disposição dos objetos. "Onde está a escultura da Tomie Ohtake não quis mobiliar. A peça é muito forte e tem muita importância. Por isso, precisa respirar sozinha." Perto dela só a poltrona Nouvelle Vague, da marca italiana Porro, comprada na Casual Interiores, que parece ser de mármore, mas é de termoplástico.
Abrigando outras peças de design, uma das quatro suítes originais do apartamento virou o home theater, integrado ao living. Ao fundo, a varanda, fechada com vidro, oferece o recuo necessário para o ambiente respirar e vira o condutor dos diferentes ambientes, ao contornar toda a área social. Em uma outra sala de estar, à direita da entrada, quase toda a atenção se volta para a poltrona com encosto alto da espanhola Patricia Urquiola. Quase porque as luminárias de chão Gregg, da Lumini, também se destacam.

Na sequência, mais uma sala, criada em uma área que seria da varanda, acomoda duas poltronas Bubble de teto, chaises, lareira à gás e TV - é o segundo home theater. Como o primeiro espaço segue a decoração do living, neste o clima é mais intimista. "As duas chaises criaram um espaço gostoso para namorar, ler um jornal aos domingos", diz a arquiteta.
A estrutura original do imóvel contribuiu para criar essa ampla casa-galeria, que recebe farta iluminação natural graças às muitas folhas de vidro. Com o aval do casal, Fernanda teve toda a liberdade para escolher materiais e sugerir objetos, como o bastão do inglês David Batchelor, que faz as vezes de luminária no chão do home theater. Ou as duas mesinhas de apoio feitas com pedra brasileira. "Elas são lindas e ótimas para apoiar um aperitivo ou a xícara de café, por serem leves e fáceis de carregar", diz.

Moldura. Na parede do living e na porta de entrada, o revestimento de aço corten da Art Steel, mais do que unir os ambientes, dá ideia de um saguão de exposição - sobre ele estão telas de Vik Muniz e Paulo Whitaker - e é suavizado pela claridade do entorno. "Como fizemos um painel escuro, com peso e textura, trouxemos cores mais leves para equilibrar o ambiente."
As muitas obras foram distribuídas por todo o apartamento. "A intenção foi montar a coleção e, ao mesmo tempo, deixar os ambientes acolhedores. Para isso, você precisa de detalhes e nada melhor para essa função do que obras de arte, em vez de tecidos para parede ou outro revestimento." Quem também dá vida aos ambientes são os arranjos de flores, da The Flower Power, que mais parecem esculturas dentro de vasos. "Casa florida dá ar de casa cuidada."

Algumas soluções arquitetônicas do imóvel foram buscadas justamente para dar mais destaque à coleção de arte. Na sala de jantar, por exemplo, a grelha perto do teto esconde o ar-condicionado, deixando a vista livre para contemplar a foto de Rosario López Parra sobre o buffet, a obra de Leda Catunda na parede e a fila de pendentes Copper Shade, de Tom Dixon, comprados na Lumini.
No corredor que leva aos quartos, a parede percorrida com telas de Alvaro Elkis indica que a exposição continua na área íntima. Até mesmo cômodos menos usados, como o quarto de hóspedes, têm um quê especial. Irreverente, a luminária da Benedixt alegra o espaço.

Sem obras, os banheiros foram recompensados com o uso de limestone na parede e no piso. O material, em elegante tom de bege, permitiu criar nichos para colocar cremes e sabonete, e um friso no chão para evitar escorregões na área molhada.
Amplo, como todo o apartamento, o quarto do casal é cortado de ponta a ponta da parede por uma cabeceira com estofamento de couro. Sua maciez agrega conforto, seu comprimento é funcional - faz o elo da cama com as mesas laterais - e sua neutralidade comporta bem a tela de Daniel Feingold e a foto de Isack Kousnsky, que completam o acervo.

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