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Cem frutas, para todos os gostos

Livro de colecionador de frutas reúne história, finalidade e propriedades de espécies nativas e exóticas

11 de março de 2009 | 2h 10
Fernanda Yoneya - O Estado de S.Paulo

Quando começou a plantar frutíferas e colecionar espécies desconhecidas, em Campina do Monte Alegre (SP), o fruticultor Helton Josué Teodoro Muniz já costumava anotar o máximo de informações sobre cada uma delas, como origem, história e finalidade. Hoje, 14 anos depois, o resultado de todo esse trabalho pode ser conferido no recém-lançado livro Colecionando frutas - 100 espécies de frutas nativas e exóticas (Arte & Ciência Editora).

Muniz é proprietário do Sítio Frutas Raras e conhecido como um dos maiores colecionadores de frutas nativas e exóticas do País. No livro, as cem espécies selecionadas possuem ficha técnica, com informações sobre história, descrição botânica, práticas culturais (cultivo, clima, solo, adubação, podas, pragas e doenças), usos e propriedades nutricionais, propriedades medicinais, receitas e curiosidades. Os 36 capítulos são divididos por famílias e as 500 fotos que ilustram a obra foram feitas pelo próprio Muniz. "Há imagens da planta, da flor, do fruto, da polpa e da semente de cada uma."

Entre as 100 espécies - 68 nativas e 32 exóticas -, a curiosidade fica por conta de frutíferas raras no Brasil, como dovialis, cambucá, taiuva, marolo, cruá e fruta-cofre, mas mesmo espécies conhecidas vêm com informações históricas curiosas. A banana, por exemplo, que é a fruta mais consumida do mundo, além de ser prática, higiênica e saborosa, recebeu esse nome por causa da semelhança do fruto com um dedo e do cacho com uma mão. "Possivelmente foram os gregos e árabes que descobriram o fruto em suas viagens à Índia e chamavam-na de 'banána', que significa dedo em árabe", informa o produtor, no livro.

Critérios

Foram dois os critérios de escolha das frutas que compõem o livro. O primeiro era que a espécie estivesse em produção no pomar e o segundo, que fossem nativas da região, para facilitar o trabalho de pesquisa. "O livro levou cinco anos para ficar pronto, mas as informações começaram a ser levantadas quando comecei o pomar, há 14 anos", conta.

Para Muniz, o principal atrativo do livro são os dados históricos. "Conto como a espécie exótica foi introduzida aqui, relato as primeiras impressões de quem esteve no País sobre determinadas frutíferas e falo sobre o valor de cada fruta para a região de origem."

O livro está sendo vendido pela internet e custa R$ 145 (até 30/3, com frete incluso); depois, será vendido por R$ 175. Pedidos no site http://www.colecionandofrutas.org.

Coleção possui 740 espécies

O Viveiro Saputá, do Sítio Frutas Raras, possui uma das maiores coleções de frutas nativas e exóticas do País. Hoje, segundo Helton Muniz, 740 espécies de plantas podem ser encontradas no viveiro - 70% são nativas. Com a venda de mudas, Muniz mantém o pomar e investe em uma biblioteca no sítio. "Comecei a me interessar por plantas e frutas aos 15 anos de idade, quando fui pesquisar um nome que me chamou a atenção: saputá", conta o colecionador, justificando o nome escolhido para o viveiro.


linkINFORMAÇÕES:

Helton Muniz

Tel. (0--15) 8132-5140