Com a providencial ajuda do elefante
Jaipur parece ter sido feita para admirar do lombo do animal
O dia mal começou, faz um sol de rachar, mas estão todos lá, enfeitados até as unhas, subindo o monte em fila indiana. Lá no alto, o imponente Forte Amber e suas muralhas ocre. Cenário para uma experiência original.
De perto, os elefantes são bem mais graciosos, com trombas pintadas e jeitão desengonçado. Eles levam no lombo guias de turbante e turistas extasiados. Dois por vez, acomodados numa cadeirinha almofadada.
A fila para o elefante é imensa, mas rápida. Ainda mais se você conseguir tampar os ouvidos contra os insistentes vendedores e abstrair o calor. É de um muro alto que se sobe no lombo do animal. Nem pense em chegar ao forte de outra maneira: o ritual é esse.
O percurso segue monte acima num vaivém indescritível. Devagar e sempre, para frente e para trás. Segure firme, o elefante pode parar bruscamente se tiver vontade de usar o "banheiro". Leve lenço, caso ele (ou ela) decida espirrar. E se conforme: as fotos sairão tremidas.
Mas com isso você não precisa se preocupar. Há lambe-lambes pelo caminho. Eles vão seguir você para tentar vender a foto. O preço? Cada fotógrafo cobra o que quer, dependendo da hora, do desespero... Dá para conseguir duas por 100 rupias.
Depois de zigue-zaguear na colina e passar sob dois portais, o elefante entra no pátio do Forte Amber. O desembarque é em cima de um muro. O guia de turbante para, posa e faz o animal levantar a tromba. E não vai embora sem a gorjeta.
O passeio dura no máximo 15 minutos, mas vale pela viagem toda. Pode apostar, você vai pensar isso antes mesmo de olhar para os lados, para cima e para baixo. Bem adiante estão os palácios do Forte Amber, forrados de mármore e pedras rosadas. O local foi erguido pelo marajá Man Singh, em 1592, e serviu de residência real até o século 18, quando todos se mudaram para Jaipur, ainda hoje a capital do Rajastão.
Antes de entrar nesse mundo, repare ao redor. Do alto, o cenário é ainda mais perfeito. A histórica Amber se esparrama aos pés da montanha e à beira do Lago Maota. As muralhas correm por quilômetros. No complexo, há três palácios, um para o inverno, outro para o verão e um terceiro para o período das monções. Mais esculturas, mosaicos e templos inteiros de prata.
Na volta, não tem jeito, é descer o monte a pé ou de jipe. O calor está terrível e os animais precisam descansar. Só resta, então, grudar os olhos na janela do veículo. Até que a estrada apague os elefantes, o forte, o monte.
Informações: www.jaipur.org.uk
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