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Cuidados para não ser barrado na imigração

Passaportes antigos e carta do empregador podem fazer a diferença

18 de março de 2008 | 3h 41
Adriana Moreira e Aline Nunes - O Estado de S.Paulo

Desde que os casos de brasileiros com entrada negada na Espanha ganharam os noticiários, as preocupações de quem planejava uma viagem pela Europa aumentaram. Vôos fretados e da companhia Ibéria chegaram a ser cancelados na semana passada, nos primeiros efeitos da crise diplomática.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores (MRE), a Espanha só fica atrás do Reino Unido em denegações de brasileiros: 4.985. No ano anterior, foram 5.195 recusas. O Brasil é o líder no ranking de países que mais têm cidadãos denegados no Reino Unido, muito à frente do Paquistão, o segundo, com 2.035 casos.

Para não ter o dissabor de ser mandado de volta, nunca é demais cercar-se de cuidados. Apesar de não haver visto para os países do Tratado de Schengen (Alemanha, Áustria, Bélgica, Dinamarca, Espanha, Finlândia, França, Grécia, Islândia, Itália, Luxemburgo, Noruega, Países Baixos, Portugal e Suécia), há exigências comuns para permitir a entrada. Vale lembrar: apesar de também não exigirem visto, países como Reino Unido e Irlanda não integram o tratado.

O diretor-geral de Assuntos Internacionais da Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav), Leonel Rossi, dá dicas para evitar a denegação: ''Respeitar o tipo de visto que recebeu, não extrapolar o tempo permitido por ele e consultar as embaixadas antes do embarque para se informar sobre leis reduz em 50% as chances de complicações'', diz.

Quem compra pacotes turísticos pode ter prejuízo. Não há reembolso para casos de entrada negada: a lei considera o cidadão responsável por sua legalidade. Hotéis e companhias aéreas não têm culpa de os serviços não serem utilizados.

RESERVAS

Leve o comprovante da reserva da passagem aérea e da hospedagem - são exigências da maioria dos países do acordo de Schengen, e desejáveis no Reino Unido. No caso de intercambistas, não esqueça a carta da escola e o comprovante de matrícula do curso. Tereza Fulfaro, diretora Educacional da CI, recomenda que os estudantes informem-se sobre o destino antes da viagem. ''Alunos bem orientados eliminam 90% das chances de problema com a alfândega'', diz. Alguns países também pedem uma verba mínima diária, de acordo com o tempo de permanência. Na Espanha, por exemplo, a quantia é de 60 (R$ 155) por dia.

SEGURO-SAÚDE

Boa parte dos países do Tratado de Schengen exigem seguro-viagem internacional, com cobertura de 30 mil (R$ 78 mil).

PASSAPORTE

Quase todos exigem que o passaporte seja válido por pelo menos seis meses da data de chegada. A exceção é Portugal, que aceita o documento com validade por apenas três meses.

EXTRAS

Todos esses cuidados, no entanto, podem não ser suficientes para o agente de imigração. Por isso, procure colocar na bolsa o maior número de documentos possíveis que comprovem sua intenção de voltar para o Brasil.

Alguns exemplos: carteira de trabalho, carta da empresa onde você trabalha e carta-convite (no caso de congressos ou reuniões), além de extrato bancário ou comprovante do limite do cartão de crédito. Até mesmo passaportes antigos, com vistos para outros países, podem fazer a diferença entre ficar ou ser mandado de volta.

MESMO COM VISTO...

Na hora de tirar o visto para os EUA, o formulário avisa: o documento não garante a entrada no país. Por isso, recomenda-se ter calma para responder às perguntas da imigração. E leve aqueles comprovantes de reserva, já citados acima.