De periferia a reduto alternativo, a efervescência de Kreuzberg
Durante os 28 anos da existência do Muro e logo após sua queda, Kreuzberg era aquele tipo de lugar que ninguém escolheria para morar. Colado ao paredão, o bairro foi praticamente esquecido pelo governo e acabou se transformando na mais terrível representação da periferia oriental.
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Os apartamentos simples e baratos passaram a abrigar imigrantes, sobretudo os turcos. Mas não tardaram a ser descobertos pelos estudantes e pelos jovens artistas, que já não conseguiam mais pagar pelo preço da fama de Prenzlauer Berg.
Tanto que nas duas últimas décadas a população da região quase duplicou - o pessoal com menos de 30 anos é maioria. E Kreuzberg arrancou de Prenzlauer Berg o título de centro alternativo de Berlim.
Os pontos turísticos tradicionais do bairro, como o Checkpoint Charlie e a Topografia do Terror, estão ao norte, quase chegando ao Mitte. Mas é a parte mais para o sul que tem uma história interessante: a área foi o berço de movimentos da subcultura da capital, especialmente do punk rock. Isso ainda na época da Berlim dividida.
Na Oranienstrasse resiste o lendário clube SO36, famoso na década de 1970 e um dos lugares preferidos de David Bowie. A rua segue com uma alternativa vida noturna, com bares, restaurantes e opções de baladas bem ecléticas, ao som de ritmos tão diversos quanto música eletrônica e reggae.
Arte e literatura também estão abertos a variadas influências. Na Alexandrinenstrasse fica a galeria Exile, original da Suíça, que acolhe muito bem qualquer tipo de inovação. Artistas iniciantes do mundo inteiro montam exposições no local.
RETRÔ
Caminhando pelas ruas de Kreuzberg, no entanto, você percebe que esse frescor trazido pela juventude convive com o que os berlinenses chamam de Ostalgie, junção de Ost (que significa leste) com nostalgia. Não, os alemães não desejam a volta da Berlim Oriental, mas, mesmo assim tão modernos, se interessam - e tentam retomar - aquele look retrô dos anos 1970 e 1980. Para ter uma ideia do que estamos falando, busque na memória a decoração dos espaços do filme Adeus, Lênin!, as roupas dos personagens e os carros Trabi que eles usavam.
Um exemplo dessa onda revival é o Moviemento (Kottbusser Damm, 22), o cinema mais antigo de Berlim, fundado em 1907. Filmes clássicos, contemporâneos e muitas produções alemãs ganham vida em suas três pequenas salas.
É como um cineclube, já que os clientes promovem apresentações, palestras e leituras. O Moviemento fica na divisa com o vizinho bairro de Neulkölln, que nos últimos anos começou a ser ocupado por estudantes. Ao que tudo indica, está surgindo o próximo Kreuzberg.
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