Dedique-se a Amã. E evite um 'haram' turístico
Fazer dessa capital vibrante - cheia de sons e cores - apenas uma conexão é um pecado imperdoável; gaste três (bons) dias por lá
Ahlan Wa Sahlan ou bem-vindos a Amã. Preparem-se para encontrar uma capital vibrante e caótica, repleta de contrastes, aromas e sons. Aqui, especiarias perfumam o ar e buzinas cortam o chamado dos muezins para as orações diárias. O preto do chador caminha ao lado de modelitos ocidentais e hotéis cinco-estrelas têm vista para ruínas romanas de 2 mil anos.
Por essas e outras peculiaridades, fazer de Amã apenas uma conexão - a cidade é a porta da Jordânia para quem chega de avião - pode ser considerado um tremendo haram (pecado) turístico. Passe uns três dias na capital e, só depois, siga para os demais destinos do país, todos a menos de quatro horas de lá.
Amã é moderna. A cidade de 2 milhões de habitantes tem hotéis renomados, restaurantes de cozinha internacional (incluindo a libanesa), lojas de grife, museus, galerias de arte e intensa vida noturna. Mas a tradição islâmica ainda se faz presente: bebida alcoólica, por exemplo, só nas baladas dos hotéis.
Amã é histórica. Mencionada na Bíblia como o povoado de Rabbath Ammon, antiga capital dos amonitas, tornou-se importante pólo comercial durante o Império Romano e exibe até hoje, no centro antigo, vestígios desse passado.
É direto para lá que você deve ir se quiser viver uma experiência autêntica numa metrópole árabe. O caminho não é fácil - os hotéis ficam um pouco afastados do centro histórico -, nem todo mundo fala inglês, as ruas não têm placas e não há numeração nos prédios. Mas (pode apostar) se algum jordaniano vir você perdido com um mapa nas mãos, fará questão de oferecer ajuda.
Sim, o povo é simpático e hospitaleiro a ponto de colocar o turista dentro do carro e dar uma carona até um lugar que nem mesmo o motorista sabe onde fica. ''I help you as a friend'', vai justificar o jordaniano.
''Welcome to Jordan'' é a frase de aproximação. Se durante a conversa você contar que é brasileiro, seu interlocutor será capaz de escalar os 11 jogadores da seleção de futebol.
Uma vez no centro, bata perna sem rumo, explore cada canto, atento a cores, aromas, sons. A praça onde está a Mesquita El-Hussein, construída em 1932 com pedras rosas e brancas, é um bom ponto de partida. Perto dali estão lojinhas que vendem um pouco de tudo: de coloridos lenços de pashmina a docinhos árabes de dar água na boca. E ouro, muito ouro.
Na rua que parte da praça começa o souk da cidade, um mercado a céu aberto. As tendas saem dali para se espalhar pelos quarteirões do centro histórico. Não deixe de sentir a atmosfera dessa feira, onde mulheres muçulmanas compram frutas, verduras, temperos e especiarias.
Um pouco mais ao longe se vê o domo azul da Mesquita El-Malek Abdullah, símbolo da cidade. Não muçulmanos podem entrar para conhecer o moderno prédio, mas fora dos horários das orações (são cinco por dia). Mulheres precisam vestir o chador - a mesquita tem uma sala repleta desses trajes para empréstimo - e todos devem tirar os sapatos. A visita inclui apenas o salão principal de orações, sem bancos e com os tapetes onde os fiéis se ajoelham. Ótima oportunidade para matar a curiosidade.
HERANÇA
O centro histórico fica aos pés da Cidadela (al-Qala''a), que teria sido o centro do povoado bíblico de Rabbath Ammon. Antes de chegar até lá, pela subida íngreme da Rua Shabsugh, conheça o anfiteatro do ano 170 d.C., capaz de abrigar até 6 mil pessoas. Ele foi restaurado e hoje serve de palco para inúmeros eventos culturais.
A Cidadela é a grande atração arqueológica de Amã. Guarda colunas romanas milenares, ainda imponentes, ruínas de um templo dedicado a Hércules. É nessa área que está o Museu de Arqueologia da Jordânia, com notável acervo sobre a trajetória humana na região, desde o Neolítico até a Era Bizantina. Em exibição, itens nabateus extraídos de Petra e um conjunto de manuscritos do Mar Morto.
Bem ali, do alto da colina, não é só a perspectiva histórica de Amã que brinda os turistas. Também, a bela paisagem monocromática do caos.
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