Dois idiomas, muitas maneiras de falar
O sotaque de cada país pode ou não influenciar no aprendizado? Professores explicam como se adequar às diferentes pronúncias
Uma das preocupações de quem vai estudar fora é o sotaque do país escolhido. Australiano e escocês têm fama de serem os mais difíceis de serem compreendidos por brasileiros. Mas será que isso deve ser levado em conta na hora de escolher o curso?
Quando o assunto é inglês, a coordenadora do curso de Letras em Inglês da PUC-SP Angelita Gouveia Quevedo afirma que não há um sotaque mais fácil. Segundo ela, mesmo um aluno que tenha aprendido o inglês padrão americano pode ter dificuldades em uma cidade do interior dos Estados Unidos, por exemplo. ''''O que existe é um choque inicial. Recebemos mais informações, como músicas e filmes, americanas. É preciso acostumar o ouvido. Em média, em dois meses a pessoa já está adaptada ao sotaque.''''
Por isso, Angelita acredita que o mais importante é escolher um lugar com o qual o aluno se identifique. ''''O aprendizado é mais fácil quando se tem afinidade com o país.''''
Cristina Schumacher, co-autora do livro Guia de Pronúncia do Inglês para Brasileiros (Ed. Campus, R$ 55,90), concorda. ''''É a afinidade que faz o aprendizado ficar'''', diz. ''''O brasileiro vai levar seu sotaque característico, não importa onde tenha aprendido o idioma. O importante é que isso não atrapalhe a comunicação.''''
A administradora Patrícia Ciccone, de 27 anos, escolheu a Austrália para aprender inglês - e não se importou com o sotaque local. Ela conta que teve dificuldades no começo, mas acredita que por outras razões. ''''Não conhecia bem a língua e os nativos falam rápido e usam gírias'''', diz. ''''Conheci gente do mundo todo e me acostumei com o jeito de cada um falar.''''
ESPANHOL
Com o aprendizado do espanhol não é diferente. Mônica Ferreira Mayrink, professora de Letras em Espanhol da Unesp de Araraquara, explica que não existe um país que tenha sotaque mais ''''neutro''''.
Segunda ela, o fonema interdental é bem pronunciado na Espanha - e o brasileiro não está acostumado. Já os chilenos costumam falar rápido, enquanto bolivianos e colombianos têm a pronúncia pausada. ''''São 21 países de língua espanhola, cada um com suas características. Mas é possível se comunicar em todos, independentemente de onde você tenha estudado.''''
Tudo depende do interesse do aluno, diz a professora. ''''A Espanha oferece muitas bolsas de estudo. Se for para negócios, um curso na América do Sul pode ser interessante'''', recomenda. Opções não faltam. A presidente da Belta, Tatiana Mendes, afirma que o número de escolas de espanhol na América Latina - em especial, Chile, Argentina, México e Peru - cresceu muito nos últimos anos. ADRIANA MOREIRA
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