Ele mudou do vinho para a água
A fixação do americano Michael Mascha pela água mineral começou há cinco anos, quando seu médico o proibiu de beber vinho devido a um problema no coração. ''''Comecei a procurar um substituto para a bebida e me encantei com a água mineral'''', conta Mascha. Após muito estudo, pesquisas, testes e, é claro, copos, as descobertas desse antropólogo da alimentação renderam um site especializado em água mineral, o www.finewaters.com, um livro, Fine Waters - A Connoisseur''''s Guide to the World''''s Most Distinctive Bottled Waters (que pode ser comprado através do site por US$ 24,95), e um novo trabalho: o de consultor de carta de águas.
''''Muita gente não sabe que a água pode ser tão complexa quanto o vinho. Elas são totalmente diferente umas das outras. Para perceber isso, basta você provar duas ou três juntas'''', diz Michael. Ele divide as águas em comuns, gourmets e saborizadas. ''''Grande parte das águas norte-americanas são retiradas da torneira e purificadas por grandes empresas. Essas são as que chamo de comuns'''', explica. As gourmets, para Mascha, são as águas que vêm de uma fonte de boa qualidade. ''''Ela deve estar protegida e estar longe da agricultura''''. São essas que entram nas cartas de águas sugeridas por ele.
As bebidas saborizadas, de acordo com Michael, são boas sugestões. Porém, na definição do especialista, elas são aquelas sem a adição de açúcar, feitas com essência natural. ''''Muitas têm alto nível de açúcar e essência artificial. Nos Estados Unidos, se você coloca açúcar, ela entra na categoria refrigerante'''', conta - diferentemente do que acontece no Brasil, já que aqui ela vira refrigerante se receber sabor e gás.
AS CARTAS DE ÁGUAS
''''Os comensais que gastam dinheiro em restaurantes sofisticados estão descontentes. Eles querem mais opções de água.'''' É assim que Michael vende seu peixe, ou melhor, seus menus compostos com vários rótulos da bebida. E ele tem razão - a reportagem da Fast Company citada na capa comprova que os americanos estão mesmo dispostos a gastar com águas minerais. ''''Assim como as opções de vinho, que começaram apenas como ''''tinto ou branco'''', o número de águas nos cardápios tende a aumentar em, no máximo, dois anos'''', complementa Mascha.
A regra usada pelo expert na hora de combinar água com comida é simples: águas mais leves vão com comidas mais leves, e águas mais pesadas ajudam a fazer a digestão quando se come alimentos mais ricos. A curiosíssima água da chuva da Tasmânia, por exemplo, Mascha sugere que seja harmonizada com sushi ou sashimi. ''''Ela é uma água leve, balanceada e muito natural'''', descreve o especialista. Mas ela é salgada? ''''Não, é bastante neutra.''''
A água glacial da Patagônia também é recomendada para acompanhar as especialidades dos restaurantes japoneses, e também vinhos brancos - porém, é importante que ela não seja servida mais gelada que o vinho.
Peixes crus com a francesa Perrier, por exemplo, nem pensar. ''''Ela tem bolhas grandes e barulhentas, e seu sabor é bem agressivo. Isso iria conflitar com o sabor delicado do sushi, então eu recomendo que ela acompanhe frituras ou outros pratos com mais ''''presença'''' no paladar'''', indica o expert.
Para alternar com vinhos tintos, é preciso que a água contenha mineração média, como a francesa Wattwiller Lithinee (que recebe adição de carbonato natural) e a sul-africana Karoo, proveniente da região de Paardeberg.
As dicas de harmonização do expert na bebida se estendem até na hora de fazer gelo. ''''Águas que deixam sabor prolongado na boca não são recomendadas para virar gelo. Se os cubos forem indispensáveis em coquetéis, use o líquido com baixo teor mineral, como a Hawaiian Springs, a purificada Le Bleu (ambas são norte-americanas), ou água de chuva Cloud Juice.'''' As águas sugeridas por Michael Mascha ainda não são encontradas por aqui, portanto, se você ficou com água na boca, o site Fine Waters dá a dica de onde encontrá-las.
FINE WATERS
Enquanto os ''''water menus''''com dez ou mais opções não chegam por aqui, a solução é navegar pelo site do especialista, que indica rótulos que ele considera interessantes - tem menção, inclusive, a uma bebida brasileira, a Via Natural. ''''Não é um ranking das melhores, pois acho que, assim como o vinho, cada água é boa para uma ocasião '''', diz Michael. Portanto, os números que se encontram ao lado das garrafas na página da internet indicam apenas o número de águas de determinado país que já foram citadas, e não a nota que ele deu. No site também constam dados como origem e quantidade de minerais, além das dicas de harmonização.
No livro, o antropólogo da alimentação dá características detalhadas de cem rótulos de todo o mundo. ''''São águas que todos deveriam provar'''', aconselha Mascha. A publicação também tem o que ele chama de ''''etiqueta da água mineral'''', que indica quais são os copos ideais para se servir a bebida, a temperatura correta e mais informações sobre a harmonização. ''''A mesma consideração que é dada ao vinho eu estendi à água mineral.''''
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