Ele recheia o Garibaldo
Ator e artista plástico, Fernando Gomes cria e dá vida aos bonecos mais queridos da TV
Você pode até não conhecê-lo. Mas o artista plástico, ator e diretor Fernando Gomes faz parte da história da TV. E não apenas porque interpreta Garibaldo, da Vila Sésamo, o pássaro mais famoso do mundo.
Bonequeiro há 22 anos, ele criou, confeccionou e deu vida a muitos dos bonecos que encantam crianças desde os anos 80, como o Boninho, do Bambalalão; o X, do X-Tudo; o Júlio e toda a Turma do Cocoricó, programa que também dirige.
Fernando estima que, só para a TV, criou mais de 40 bonecos, tendo trabalhado desde o começo na Cultura, além de passar por Globo, Record e Bandeirantes.
Com tantos personagens na bagagem, parece frustrante não ser reconhecido pelo público. Ele garante que não. "No início da carreira tive um pouco de problema com isso e muitos amigos também entraram em crise. Depois percebi que gosto do que faço e faço muito bem. Hoje, ter uma identidade secreta é prazeroso."
Muitas vezes, no entanto, quando esse "segredo" é descoberto, Fernando passa por situações engraçadas. "Acontece de eu estar em uma loja e ter de ligar para o filho de alguém fazendo a voz do Júlio. Não deixa de ser um mico", conta.
Para não decepcionar as crianças que o conhecem , o ator tem um truque: se apresenta como o amigo do personagem.
Testes
Por todos os anos que está na Cultura, parece óbvio que seria de Fernando a missão de interpretar Garibaldo. Mas nem cotado ele estava para o papel.
Todos os manipuladores da emissora, além de atores de teatro de bonecos entraram na fila do teste. Quem escolheria o Big Bird brasileiro seria Kevin Clash, manipulador do Elmo americano.
"Confesso que fui com uma ?pegada? mais parecida com a do Caroll Spinney (manipulador do Big Bird desde 1969). Ele fala de forma calma." E deu certo! O Garibaldo azul, de Laerte Morrone nos anos 70 era mais agitado e tinha a voz grave.
E dar vida ao pássaro amarelo não é fácil. Só a cabeça do Garibaldo pesa mais de 2 kg e é Fernando quem a sustenta ereto e com a mão direita levantada. Enquanto Laerte Morrone enxergava por um buraco na fantasia, Fernando vê o cenário por meio de um monitor preso ao corpo por um colete. Além do calor, é claro. Por isso, ensaia sem fantasia e a cada quadro gravado, fica vestido, em média, quatro minutos.
"Para mim Garibaldo é uma entidade. Nem imaginava um dia interpretá-lo. O prazer que sinto fazendo compensa as dificuldades. É um sonho realizado."
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