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Entre mata e pedras, brotou uma casa

25 de setembro de 2011 | 2h 00
Ana Paula Garrido

Cansado de viver em São Paulo, o arquiteto Ricardo Ferri foi atrás, aos 33 anos, de uma nova vida. O destino escolhido foi Ilhabela, no litoral norte paulista, onde ele costumava passear antes da decisão. Lá encontrou a beleza das praias e áreas ainda intactas da mata atlântica, recursos que aproveita em seus projetos e viraram sua marca - desde que mudou para a cidade, há 25 anos, ele calcula ter construído 130 casas.

Cansado de viver em São Paulo, o arquiteto Ricardo Ferri encontrou uma nova vida em Ilhabela - Zeca Wittner/AE
Zeca Wittner/AE
Cansado de viver em São Paulo, o arquiteto Ricardo Ferri encontrou uma nova vida em Ilhabela

Ferri gosta de um estilo rústico, combinado a uma preocupação com o que é sustentável: a maioria do material usada na obra é reciclada. A escolha do que usar exigiu do arquiteto um laboratório com casas feitas para ele mesmo morar. O resultado de tantos estudos pode ser visto nesta casa, no sul de Ilhabela. Em um terreno dominado por pedras e mata, o projeto contempla o azul infinito do mar e a abundância de verde das espécies nativas. Por isso, a sensação é de que a casa e a piscina - camufladas pela vegetação, dependendo do ângulo - brotaram ali.

A piscina redonda, revestida com pastilhas azuis da Vidrotil e cercada pelo deck de madeira foi pensada para ficar livre de interferências da mata. Tanto que tem borda infinita: quem estava dentro dela tinha a sensação de que a piscina e o mar se uniam. Mas a vegetação foi crescendo em volta e o arquiteto não quis mexer em nada. "Não quero cortar, porque sem a sombra das plantas é difícil ficar aqui em dias muito quentes", conta.

No deck de madeira suspenso sobre palafitas de aroeira, as quatro espreguiçadeiras foram feitas pelo arquiteto. Na área coberta mais próxima, há uma churrasqueira e a mesa para refeições. O teto era uma roda d’água de uma fazenda em Minas, onde o arquiteto costuma comprar madeira de casas antigas. Para completar a cobertura, ripinhas de tucum (palmeira espinhuda) e folhas de coqueiro.

Subindo em direção à varanda, que também é a sala de estar, o caminho sinuoso do deck é cercado apenas por plantas. Com vista para o mar, o espaço aberto nas laterais recebe toda a brisa do mar e o som do roçar das folhas, que invadem a sala. "É uma casa feita para o verão. No frio, você pode sofrer um pouco aqui", conta o arquiteto.

No grande living, que inclui a sala de jantar e a cozinha em estilo americano, se destaca a pedra já existente no terreno. Com pé-direito de 8 m, grandes portas, janelões e vãos cobertos apenas com ripas de tucum, a ventilação está garantida.

Toda a estrutura da casa - inclusive para compensar o desnível do terreno - foi feita com palafitas de aroeira, que já haviam sido postes de luz. A mesa de jantar foi resgatada do fundo de um navio naufragado. "Usei a carcaça e completei com pedaços de madeira do assoalho."

Dá para passar o dia reparando nos detalhes da casa e conhecendo a história por trás de cada um. Mas aqui há uma atração que apareceu sem a interferência de ninguém. Já perto do mar, entre as pedras, surgiu uma piscina natural, que, com a ajuda da maré, chega a 2 m de profundidade.



Tópicos: Casa, Piscina, Paisagismo