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Espécie também pode se adaptar a água doce

Peixe entra em rios em busca de alimento. Institutos e universidades estudam melhor forma de fabricar ração

06 de maio de 2009 | 2h 46
O Estado de S.Paulo

Em Pariquera-Açu (SP), o Polo da Apta Regional do Vale do Ribeira, em parceria com a Associação dos Mineradores de Areia do Vale do Ribeira e da Baixada Santista, pesquisadores avaliam a engorda do robalo-peva em água doce. "O robalo se reproduz no mar, mas, por se adaptar em água doce, vai ao rio buscar alimento", diz a pesquisadora Camila Fernandes Corrêa, que conduz o estudo com os pesquisadores Antonio Fernando Gervásio Leonardo e Leonardo Tachibana.

O estudo está voltado à alimentação do robalo e à estrutura de criação. "Avaliamos qual é a quantidade de ração ideal para a espécie, em quantas parcelas deve ser fornecida e se deve ser peletizada ou extrusada." Com peixes comerciais, usa-se a extrusada, que flutua e permite ver se o peixe está comendo. O robalo, porém, não se alimenta na superfície.

VIVEIROS

Os alevinos vieram da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Hoje o polo conta com 500 peixes, em 5 viveiros escavados, além de 12 tanques-redes de 1 metro cúbico. Camila acredita que, em dois anos, será possível difundir a tecnologia. "O desafio é chegar a uma ração adequada e garantir oferta constante de alevinos."

Para o coordenador do Centro de Produção e Propagação de Organismos Marinhos (CPPOM), da PUC-PR, Fabiano Bendhack, é importante que a cadeia produtiva do robalo se organize. "A demanda por alevinos é crescente e é preciso garantir que haverá ração suficiente. Sem planejamento, corre-se o risco de o robalo ficar com fama de peixe que não engorda", diz. "Um desafio é aproximar indústria e pesquisa, pois não há no País fábrica de ração para peixe marinho."

No Paraná, os robalos são alimentados com ração preparada à base de soja, trigo, farinha de peixe e óleo de soja ou de peixe. "Pegamos pesquisas internacionais com espécies parecidas com o robalo até chegarmos a essa formulação." Os resultados têm sido bons. "Ele vai para o tanque-rede com 50 gramas, após 60 a 70 dias no laboratório; em 60 dias, está com 150 gramas."

Bendhack destaca que fazer a reprodução do robalo não é viável para quem quer apenas engordá-lo. "É um processo caro, intensivo e que exige mão de obra qualificada."

Em Guaratuba, no Litoral Sul do Paraná, Bendhack conta que a pesca predatória estava acabando com a espécie. "Em 2005 começamos o trabalho de repovoamento. Capturamos matrizes do ambiente, criamos alevinos em laboratório e soltamos animais juvenis na própria baía." No laboratório do centro ficaram 25 mil alevinos para pesquisas. F.Y.

INFORMAÇÕES: Instituto de Pesca, idili@pesca.sp.gov.br