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Patrícia Villalba
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Essa novela é triste, mas muito boa de ver

04 de julho de 2009 | 22h 37
Patrícia Villalba - O Estado de S.Paulo

Prefiro pearas que o Michael Jackson não morreu, mas simulou a própria morte, como o Raul Carel em Caminho das Índias. "Se esse bocó pode, eu também posso", deve ter dito o Rei do Pop, ao ver o personagem de Alexandre Borges todo contentinho, tirando foto da Yvone (Letícia Sabatella) em Dubai.

Foi há poucos meses, quando MJ ligou a TV na novela e se questionou se os fios prateados do cabelo de Alexandre Borges seriam ou não naturais. Àquela altura, o Rei do Pop já vivia uma desconfortável contagem regressiva para a série de shows em Londres. Ele deveria, claro, estar pensando em algo mais importante do que nos cabelos do Raul Cadore, mas fazer o quê? - noveleiro é assim mesmo.

MJ bolou o plano perfeito. Nem precisaria daquela poção de Romeu e Julieta que a Yvone injetou no Raul. Seria só acomodar um boneco de cera em seu lugar, no sarcófago de faraó que tem guardado em Nerverland. "Ah, sabia que ia precisar de um sarcófago uma dia! Vai ser fácil", concluiu. E fez moonwalk na sala para comemorar, aproveitando a música que tocava numa cena de dança na casa dos Ananda.

Os personagens que Michael mais gosta são tipo excêntricos como o Volpone de Um Sonho A Mais e os articulistas, como a Bia Falcão de Belíssima. E ele não resiste ao charme dos fofos feito o Seu Cadore e o Antero, de Paraíso, porque, como se sabe, MJ é carente.

Recluso em algum lugar pouco provável, Michael acompanha agora a novela multimídia que a sua suposta passagem desta para a melhor se transformou. O mocinho, ambíguo como os heróis contemporâneos, está massacrado por dívidas, tem a saúde debilitada e é perseguido pela imprensa (para resumir bem). A história começa quando esse herói morre, deixando para trás 50 shows por fazer, uma família desajustada, filhos gerados por mães de aluguel, boatos sobre intervenções cirúrgicas e câmaras hiperbáricas - lembre-se da bolha de Volpone. Não sei se alguém teria sido capaz de imaginar um personagem assim, colagem de Espelho Mágico, Peter Pan e Escrava Isaura. E mesmo que alguém criasse um personagem assim, eu acharia exagero.

Imagino o quanto MJ deve estar se divertindo agora. O roteiro é bom, os números de dança são excelentes e o vilão, Joe Jackson, é dos melhores.