Estudar longe de casa deve incluir planejamento
Estimar custos ajuda a enfrentar os desafios, mas quem já passou por isso afirma: o crescimento vale a pena
Sair da casa dos pais e viver "por conta própria" em outra cidade era um sonho quase tão grande quanto se formar em Zootecnia para Felipe Sousa, de Belo Horizonte. Aos 21 anos, ele prestou vestibular em duas universidades federais no interior do Estado, a de Lavras e a de Diamantina. Passou na segunda e mudou-se feliz da vida para a cidade histórica a quase 400 quilômetros de casa. E logo descobriu que viver "por conta própria" não era exatamente como ele imaginava.
O desespero bateu na primeira semana. Queria sair da pensão onde estava e encontrar um lugar para morar, onde pudesse, sobretudo, cozinhar. "Fiquei apavorado com o preço do almoço", lembra ele. Quando começou o curso, o restaurante universitário não estava funcionando e, nos restaurantes do centro, os preços eram altos. "O dinheiro que eu tinha para o mês não ia dar para uma semana."
A primeira idéia de Felipe era alugar morar sozinho. Mas, além do aluguel -- mais caro do que previra -- seria necessário arrumar fogão, geladeira, panelas. O jeito foi procurar uma república. Foram várias tentativas. Na primeira, a república se desfez porque os vizinhos reclamavam das festas. Na segunda, o problema foram "questões administrativas", já que os moradores não conseguiram entrar em acordo sobre a divisão de despesas e tarefas.
Cansado da "instabilidade" das repúblicas, Felipe convenceu pais e irmãos mais velhos que precisava morar sozinho. O argumento era bom -- queria mais sossego para estudar -- e todos deram alguma ajuda para equipar a nova casa. O universitário foi morar nos fundos da casa de uma família, a R$ 250 por mês, o que representava quase metade do dinheiro que o pai lhe mandava para passar todo o mês. "Cada xerox que eu tinha de tirar na escola era uma dor no coração", lembra.
Aceitar convite para almoçar na casa dos colegas da cidade virou rotina. "Toda economia era necessária", explica.
Os últimos quatro anos – longe da barra da saia da mãe, como sonhava - foram mais sofridos do que Felipe podia imaginar. Ele perdeu a conta das vezes em que o dinheiro acabou antes da mesada seguinte chegar. "A gente precisa sair de casa para dar valor a cada mordomiazinha que tem em casa", reconhece.
Todo o esforço, no entanto, valeu a pena. "Foi duro, mas foi a melhor coisa que fiz." Felipe avalia que a experiência de viver longe da família, convivendo com pessoas diferentes, de várias partes do país, o fez amadurecer. Antes mesmo da cerimônia de colação de grau, no meio do ano, o belorizontino foi selecionado no programa de trainee para zootecnistas de uma dos maiores frigoríficos do país, o JBS. "Formar já empregado é a melhor recompensa."
Siga o @estadao no Twitter
- 01 Serra chama de 'lixo' livro sobre ...
- 02 Rota invade suposta reunião do PCC e ação ...
- 03 Marconi Perillo se antecipa à CPI do ...
- 04 Obama dá sinal verde a sanções contra ...
- 05 Mercado financeiro prevê PIB abaixo de 3% em ...
- 06 Cachoeira fica calado e CPI antecipa fim de ...
- 07 Governo já discute redução de superávit ...
- 08 ‘Estado’lança site e aplicativo para ...
- 09 Crise atual pode ser pior que a Grande ...
- 10 FGV: País tem queda de 7,26% no número de ...
Grupo Estado
- Copyright © 1995-2012
- Todos os direitos reservados





