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Flower power

Especialistas garantem que não é tão difícil cultivar uma orquídea. Aproveite as

11 de setembro de 2011 | 2h 00
Ana Paula Garrido

Dia 23 começa a primavera e, com ela, a disposição em apreciar e, quem sabe, até cultivar flores. Sempre cotada como boa sugestão de presente, a orquídea tem a seu favor a singularidade de florir apenas uma vez ao ano, o que fascina os colecionadores e, ao mesmo tempo, transforma seu cultivo em um mito. Para enterrar a ideia de que é impossível cuidar de uma em casa, aproveite as dicas de orquidófilas para que sua planta floresça por várias estações.

As orquídeas tem a singularidade de florir apenas uma vez ao ano - Zeca Wittner/AE
Zeca Wittner/AE
As orquídeas tem a singularidade de florir apenas uma vez ao ano

O início tem lá suas complicações até para quem acaba virando especialista, como Kátia Almeida, orquidófila do Orquidário Morumby. Ela já teve mil plantas em casa; hoje, cultiva cerca de 500. "No começo, você gosta de tudo, quer ter todas as espécies e acredita que tudo vai dar certo. Vira uma orquidoida", brinca.

Ricas em diversidade de formas e cores, as orquídeas representam um campo vasto para quem quer se dedicar a elas, como fez Lúcia Morimoto, presidente da Associação Orquidófila de São Paulo (AOSP). "Sou geógrafa e em 1996 resolvi estudar a produção de orquídea em laboratório no Japão", conta. A ideia era cultivar em quantidade suficiente para vender - o que Lúcia faz até hoje, em sua grande estufa em São Lourenço da Serra, na Grande São Paulo. Mas ela acabou se rendendo à riqueza de detalhes das variadas espécies e, agora, além de empresária do setor, é uma apaixonada e profunda conhecedora, com uma coleção de 3 mil plantas.

Com 220 grupos registrados, a Coordenadoria das Associações dos Orquidófilos do Brasil (CAOB) reúne associados do país inteiro que trocam experiências sobre o cultivo. Uma delas é lembrada por Kátia: uma ideia simples para quem não sabe cuidar, não tem tempo ou simplesmente não quer se dedicar muito às orquídeas é afixar a planta em uma árvore - habitat original da maioria das espécies.

A colecionadora Sandra Riberi usou esse conceito, que se adaptou bem à falta de espaço na casa onde mora. "Tinha um pé de xaxim vivo em meu quintal e resolvi colocar a orquídea nele. Hoje tenho muitas mudas, que foram sendo afixadas ali e também proliferaram, como na natureza", conta. A solução simples dada por Sandra virou atração para suas visitas. "Tenho amigos que se encantam todas as vezes que vêm até minha casa e quando chegam já vão para o quintal ver quais orquídeas estão floridas."

Quem não tem um quintal com árvore pode optar por prateleiras ou colocá-las em cascata - com ganchos e arames, pendura-se uma planta em cima da outra, com a mais pesada no topo, formando uma torre. Saída que a orquidófila Kátia usou em sua casa.

Independentemente do espaço onde a planta vai ficar, seja no quintal, na sala ou mesmo na área de serviço, o importante é ficar atento às condições de umidade, temperatura e luminosidade. "É preciso conhecer o microclima ideal para aquela espécie para tentar reproduzi-lo em casa", explica Lúcia.

Encanto exótico. Há espécies bem diferentes das mais conhecidas, espalmadas de flor única nas cores branca, rosa ou roxa. Sorte delas. O lema de alguns orquidófilos é "quanto mais estranho, melhor", que vai ganhando força com o passar do tempo de cultivo. "Quando comecei, era encantada pela Laelia, facilmente encontrada. Hoje gosto mais da Bulbophyllum medusae, espécie exótica e mais difícil de cuidar", diz Kátia.

Além dos tipos nativos, sobram opções de espécies híbridas. E agora, com novas tecnologias de cultivo, surge espaço também para experimentações como as miniaturas, interessantes para lugares pequenos, e até novidades como a orquídea azul, chamada de Blue Mystique - em São Paulo, disponível no Shopping Garden. A planta recebe uma tinta especial no caule, que não prejudica seu desenvolvimento, e a próxima floração será na cor branca original.

Serviço

85ª Exposição da AOSP

Quando: de sexta-feira a domingo

Onde: Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa, Liberdade

Tel.: (11) 3207-5703

25ª Exposição do Orquidário do Jardim Botânico do Rio

Quando: 23 a 25 de setembro

Tel.: (21) 2294-8089

DO PRESENTE VEIO A INSPIRAÇÃO

O designer de joias Antonio Bernardo criou uma ligação particular com as orquídeas. O que começou com um presente com tempo de vida limitado virou hobby, trabalho, inspiração. "Quando minha filha mais velha nasceu, ganhamos uma orquídea", conta.

Com pena de jogar a planta fora após a floração, Bernardo começou a cultivá-la na área de serviço do seu apartamento no Rio. "Enquanto a família toda estava entretida com o bebê, arranjei orquídeas para ficar cuidando. Um ano depois, a orquídea floresceu de novo. É um espetáculo que você não esquece", conta ele. Nascia ali uma paixão.

O número de plantas foi aumentando e a coleção foi levada para a casa de Bernardo na Serra de Itaipava, onde foi construída uma pequena estufa para elas. Mas, em vez de se distanciar do novo hobby, o designer foi mais uma vez presenteado com uma proposta. Na época, em 1997, o Orquidário do Jardim Botânico estava em busca de parceiros da iniciativa privada para manter o local em funcionamento e Bernardo virou o mantenedor. "Minha empresa é no bairro do Jardim Botânico. Achei que era uma forma de retribuir um pouco com o lugar adotando o orquidário", explica.

Ainda que não tenha desenvolvido uma peça para sua joalheria baseada diretamente nas orquídeas, o convívio com as plantas, delicadas e ao mesmo tempo fortes, o ajuda a criar as renomadas joias. "Toda a beleza, a riqueza de formas e o convívio ajudam muito, é inspirador", afirma.

Tanto o orquidário pessoal quanto o do Jardim Botânico têm contagiado parentes e amigos de Bernardo, que, assim como sua irmã, passaram a cultivar orquídeas por verem de perto o resultado ou, então, serem presenteados com uma preciosidade viva. "Agora sou eu quem dou orquídeas de presente."

CINCO DICAS

Água moderada: na rega, que varia conforme a espécie, lave a base e as folhas. Não molhe a planta aquecida pelo sol: o choque térmico causa lesões. Elimine o pratinho embaixo do vaso para não encharcar a raiz.

Filtro solar: deixe a orquídea em área iluminada, mas protegida da radiação solar, com telas de sombrite no teto ou janela.

Refresco: a planta precisa de um espaço arejado. A área de serviço pode ser um bom lugar.

Hora da refeição: O adubo líquido deve ser usado a cada 15 dias. O orgânico pode ser despejado de 3 a 4 vezes ao ano.

Base de tudo: a maioria das orquídeas é fixada em substratos de fibra de coco, cascas de pinus e nozes e britas. Espécies com raízes aéreas, que não gostam de aperto, devem ser colocadas em vaso forrado com pedras.



Tópicos: Paisagismo