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Folia em meio às obras

Um ano após a enchente, blocos voltam a desfilar em São Luiz do Paraitinga

05 de março de 2011 | 16h 00
Natália Mazzoni / REPORTAGEM

Famosa por seu carnaval castiço, em que as marchinhas tradicionais são o único gênero musical permitido, São Luiz do Paraitinga faz, este ano, uma festa diferente. Catorze meses depois da chuva que fez o Rio Paraitinga transbordar e, com águas que atingiram 11 m de altura, destruir boa parte do casario do século 19, os 24 blocos irão desfilar no entorno da rodoviária - e não mais pelo centro histórico. A intenção é preservar as construções fragilizadas e não interferir no processo de restauro, conduzido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

As obras, ainda sem previsão de término, caminham em ritmos variados. O Mercado Municipal, que foi completamente encoberto pelas águas, já foi entregue. A capela mais antiga da cidade, a de Nossa Senhora das Mercês, deve ficar pronta em setembro. "Agora, estamos finalizando a fundação e a parte de alvenaria está quase pronta", diz Natália Moradei, diretora de obras da prefeitura.

Na igreja matriz de São Luiz de Tolosa, as obras nem sequer começaram. Mas as imagens de seus santos já foram recuperadas. O trabalho foi bastante difícil, já que a maioria dos objetos, de madeira, ficou sob a terra úmida. "Na limpeza dos escombros, peneiramos cada pá de terra, verificamos cada pedacinho", diz o arquiteto Adriano Carvalho, da Construtora Biapó, que coordenou o processo. Esse cuidado contou com a participação dos moradores. "Aos poucos nossa equipe conseguiu conquistar a confiança de todos e convencê-los de que a limpeza teria de ser delicada", conta Anna Beatriz Ayrosa Galvão, superintendente do Iphan. "Muita coisa de valor cultural inestimável poderia ser quebrada."