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Patrícia Villalba
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Melhor não tentar vestir isso em casa

Novela cria moda até sem querer - mesmo com aquelas personagens que não foram lá feitas para isso

19 de julho de 2009 | 0h 45
Patrícia Villalba - O Estado de S.Paulo

Vi nesta semana no Jornal Hoje a história de um senhor de Araxá, provavelmente descendente da Dona Beja, que, há alguns anos, resolveu fazer um ensaio geral do próprio velório, com direito a algodão no ouvido e tudo. O que quer dizer que muito antes do Raul Cadore (Alexandre Borges) estar tomando tchai no copo de requeijão na casa do Gopal (André Gonçalves) no Rajastão de Caminho das Índias, o povo inventa moda para animar a vida.

Claro que só pelo exemplo do Zé Magalhães de Araxá não dá para afirmar que se fingir de morto está na moda. Mas é fato que meio mundo anda dizendo "are baba" em qualquer oportunidade. E os sutiãs andam saltando fora do decote por aí, como os da Norminha (Dira Paes) - como já havia acontecido por causa da Safira (Claudia Raia) em Belíssima (2006), recurso eficiente para marcar uma personagem.

Novela lança moda, como se sabe, até mesmo sem querer. Lembra dos laçarotes da Porcina (Regina Duarte) em Roque Santeiro (1985)? Brega e extravagante, a viúva não era exatamente um exemplo a ser seguido, mas eis que umas e outras por aí lotaram a gaveta de laços de tule, um de cada cor - sem falar em certos senhores que se sentiram encorajados a sair de casa de peruca, por causa do Sinhozinho Malta (Lima Duarte). Duvido que quando começou a montar "a viúva que foi sem nunca ter sido" o figurinista Marco Aurélio tenha pensado "hum, já sei: nos próximos oito meses, a mulherada vai aderir ao look embrulho de presente!".

É impossível saber o que o povo vai adotar. E algumas modas tresloucadas acabam eternizadas em fotos vexatórias nos álbuns de família. A Maria Clara Diniz (Malu Mader) era a chiquérrima de Celebridade (2003), mas as ruas preferiram consagrar aquela sainha ingrata da Darlene (Deborah Secco).

"São os tempos de Kalyuga", diria o Tchatcha (Flávio Migliaccio) se visse uma firanghi estrangeira apertada num decote boca de palhaço esperando o Jardim Clímax no ponto de ônibus. É por isso que a cada vez que a gente ouve na novela o "você não vale nada, mas eu gosto de você" - a deixa para a Norminha entrar, desfilar pela faixa de pedestres do Abel (Anderson Muller), enrolar o cabelo no dedo e sair, numa repetição digna de Zorra Total -, deveria aparecer no vídeo "não tente fazer isso em casa".