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Na Nova Zelândia, a Pinot está em casa

16 de abril de 2009 | 2h 41
saul.galvao@grupoestado.com.br - O Estado de S.Paulo

A Sauvignon Blanc foi a uva que colocou a Nova Zelândia no mapa vinícola do mundo. Agora, desponta a Pinot Noir, que se dá maravilhosamente em várias regiões do país, de clima normalmente frio. O desenvolvimento da vinicultura na Nova Zelândia foi espetacular. Atualmente, segundo dados de 2001 citados pelo excelente livro Os Segredos do Vinho, de José Oswaldo Amarante, são perto de 15 mil hectares de vinhas, que produzem 53 milhões de litros. A Sauvignon continua a uva mais plantada, seguida da Pinot Noir e da Chardonnay.

A geografia explica o vinho do país, que fica ao sul da Austrália, mais perto da Antártida. Ele é dividido em duas grandes ilhas - Norte e Sul. Zonas vinícolas nas duas ilhas. Quanto mais ao sul, mais frio. Central Otago, zona montanhosa, famosa pelos tintos feitos com a Pinot Noir, é a região vinícola mais no sul do mundo (45°Sul).

O clima frio naturalmente favorece as uvas brancas e as tintas que gostam de temperaturas mais baixas, como a mais do que caprichosa Pinot Noir, que dificilmente dá vinhos de alta qualidade fora de sua zona de origem, a Bourgogne.

As zonas mais frias da Nova Zelândia estão entre as melhores áreas do mundo para a Pinot Noir, especialmente Central Otago, Wellington (Martinborough-Wairarapa), Canterbury e Marlborough. A degustação dos tintos neozelandeses foi das mais prazerosas. Além dos quatro selecionados, agradaram bastante Trinity Hill 2006 (Hawke?s Bay) e Sileni (Hawke?s Bay) 2007.

SAINT CLAIR 2006

ONDE ENCONTRAR: GRAND CRU, TEL. 3062-6388
PREÇO: R$ 93
COTAÇÃO: 90/ 100

Da região de Marlborough, a maior da Nova Zelândia. Um belo vinho, apesar do aroma meio tímido. Cor intensa, o que não é característica da Pinot Noir. Aroma muito bom, mas tímido no início. Demorou para aparecer, apresentar frutas, talvez groselha. Um aroma doce e gostoso. Na boca, ficou melhor. Redondo, macio, muito bem equilibrado. Nenhum de seus componentes se destaca demais. Não é encorpado, mas elegante, redondo, macio. Um vinho "doce", cheio de fruta, mas nunca enjoativo. Taninos macios e boa acidez facilitam as combinações. Pronto para beber, mas pode evoluir. Longo, deixa sensação de frutas na boca. 13,5% de álcool.

HUNTER?S PINOT NOIR 2006

ONDE ENCONTRAR: VILLE DU VIN, TEL. 4208-6061
PREÇO: R$ 119,07
COTAÇÃO: 90/100

Da região de Marlborough, no norte da Ilha Sul, mais famosa pelos brancos feitos com a Sauvignon Blanc. Tinto mais do que gostoso. Cor típica da Pinot Noir, não muito intensa. Aroma ótimo, potente e mais para o lado das frutas. Complexo, com várias nuances. Qualidade continuou na boca do começo ao fim. Primeira impressão excelente. Vinho redondo, "doce", com boa acidez, longe de ser enjoativo, sem arestas. Pedindo sempre o próximo gole. Muita fruta na boca. Álcool muito bem equilibrado pelos demais elementos. No ponto para beber. Taninos macios, nada agressivos e final de boca de primeira. Fruta permaneceu na boca. 13,5% de álcool.

NEUDORF TOMMY?S BLOCK 2006

ONDE ENCONTRAR: VILLE DU VIN, TEL. 4208-6061
PREÇO: R$ 164,71
COTAÇÃO: 92/100

A Neudorf é uma ótima produtora da região de Nelson, que fica ao lado de Marlborough. Um ótimo vinho, muito típico. Aroma e sabor lembraram efetivamente a Pinot Noir. Aroma potente, gostoso, evocando framboesas, típico da uva. Também lembrou amoras. Melhorou ainda mais na boca, notadamente no ataque. Primeira impressão de boca excelente, igualmente potente. O tipo de vinho "cheguei", de grande concentração de sabor, mas não encorpado e pesado. Ao contrário, elegante e complexo. Lembranças de chocolate. Ótima estrutura e acidez. Álcool muito equilibrado. Longo, deixou sensação mais do que agradável na boca. 13,5% de álcool.

TE TERA PINOT NOIR 2005

ONDE ENCONTRAR: MISTRAL, TEL. 3372-3400
PREÇO: R$ 163,84
COTAÇÃO: 92/100

Um produto da Martinborough Vineyards, no extremo sul da Ilha Norte. O nome da região é Wellington, mas as denominações Martinborough e Wairarapa costumam aparecer nos rótulos. Zona com especial vocação para a Pinot Noir. Este apresentou bastante intensidade de cor, aroma intenso e complexo. Frutas vermelhas bem maduras e algo vegetal, de frescor, talvez hortelã. Na boca, intenso e muito elegante. Bastante acidez, ótimo para a mesa. Pronto para o consumo, mas pode melhorar, pois os taninos ainda aparecem ao fundo. Equilibrado, sem arestas e longo. Impressão gostosa de frutas permaneceu na boca. 13,5% de álcool.