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No caminho, traços da Antiguidade

Espalhadas, construções inspiram um passeio aos tempos de supremacia do Império Romano

31 de março de 2009 | 2h 43
Adriana Moreira - O Estado de S.Paulo

Olhando as fotos acima, você pode pensar: o que o Coliseu de Roma e o Partenon grego fazem na Tunísia? Tratam-se, na verdade, de "genéricos" destes e de outros monumentos, espalhados por todo o país. Historicamente, são o registro do domínio que o Império Romano exerceu na região depois da conquista de Cartago.


El Jem: patrimônio tombado pela Unesco. Anfiteatro lembra o Coliseu

O Anfiteatro, espécie de Coliseu tunisiano, fica em El Jem e é considerado o terceiro maior do mundo: perde só para o romano e para o de Cápua, também na Itália. Construído no século 3º, tinha capacidade para até 35 mil pessoas e está entre os sete Patrimônios da Humanidade pela Unesco na Tunísia.

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Na época de sua construção, El Jem - então Thysdrus - era uma cidade próspera, famosa pelo cultivo de oliveiras. Com o mesmo status que têm atualmente os estádios de futebol, a arena trazia a diversão necessária a moradores e visitantes, com homens lutando até a morte. Hoje, o turismo é a principal atividade, e as ruas ao redor do anfiteatro são repletas de lojas de souvenirs.


Dougga: Sítio preserva um belo teatro no melhor estilo romano

Já Dougga poderia facilmente estar na Itália ou na Grécia.Os templos com grandes colunas lembram o Partenon grego. Logo que se chega ao sítio histórico, depara-se com um teatro no tradicional estilo romano.

Caminhando pelas ruínas não é difícil imaginar como seriam, por volta de 150 d.C., as ruas repletas de gente, emolduradas por ricas mansões e mosaicos que enfeitavam os pátios internos. A maior parte das peças do Museu do Bardo, em Túnis, foi retirada dali.

O mosaico de Ciclopes, por exemplo, ficava em um dos banheiros públicos, muito comuns na época. Além de saunas e tratamentos com óleos e esfoliantes havia também - pasme - latrinas coletivas. Uma ótima maneira de reunir os amigos.

Assim como Dougga, Sbeitla tem seu Partenon, que pode ser avistado ao longe, por detrás de um campo de pequenas flores amarelas. Trata-se, na verdade, de um impressionante capitólio, onde ficavam os templos dedicados a Juno, Júpiter e Minerva. Historiadores acreditam que a cidade, então chamada de Sufetula, tenha sido construída por volta do ano 3º a.C. e resistido a diversas fases da história. Hoje, está entre as mais bem preservadas de sua época.


Sbeitla: local de culto a Júpiter, Juno e Minerva remete ao Partenon

Os romanos deixaram como herança banhos públicos, fontes, a cisterna para o abastecimento de água e um grande número de mosaicos. Do período bizantino restaram as ruínas de capelas e de igrejas cristãs, além de uma bela pia batismal, possivelmente do século 5º d.C.

LINHA DO TEMPO
linkSéculo 10.º a.C.: fundação de Cartago
link264-241 a.C.: 1ª Guerra Púnica
link218-202 a.C.: 2ª Guerra Púnica
link149-146 a.C.: 3ª Guerra Púnica. No fim do combate, Cartago é destruída
link44 a.C.: o imperador Júlio César reconstrói a cidade de Cartago
link439: a região onde hoje se situa a Tunísia é invadida pelos vândalos
link533 a 647: período de domínio do Império Bizantino
linkSéculo 7º: invasão árabe
link705: destruição total de Cartago
link909: os berberes tomam o atual território da Tunísia dos árabes
link1574 a 1881: período de domínio do Império Otomano
link1881: tropas francesas ocupam Túnis. A Tunísia vira protetorado francês, situação que dura até 1883
link1938: Habib Bourguiba funda o partido pró-independência
link1956: o país se torna independente, com Bourguiba como primeiro-ministro
link1957: a monarquia é abolida e o país se torna uma república
link1987: Habib Bourguiba é declarado mentalmente incapaz de governar o país. Zine El Abidine Ben Ali toma o poder em um golpe de estado
link1989: Ben Ali é eleito presidente. E conquista a reeleição em 1994, 1999 e 2004
link2000: morte de Habib Bourguiba.



Tópicos: Viagem, Tunísia