O barroco e o moderno têm igual importância
Ouro Preto e Brasília são os únicos municípios brasileiros declarados Patrimônio Mundial
Uma floresceu no ciclo do ouro e outra é símbolo do milagre econômico. Pelas ladeiras de pedra da primeira estão casarões coloniais e igrejas barrocas, enquanto nas largas avenidas da segunda imperam os prédios futuristas. A cidade histórica preserva um dos mais ricos conjuntos arquitetônicos do Brasil. A capital do poder é fruto de um plano piloto ultramoderno. Com características tão diversas (e tão únicas), Ouro Preto e Brasília são as duas cidades brasileiras declaradas Patrimônio Cultural da Humanidade.
A cidade mineira, aliás, foi o primeiro destino brasileiro a ser incluído na lista da Unesco, em 1980. Com mérito. A exploração do ouro nos séculos 17 e 18 transformou a antiga Vila Rica num importante centro econômico e ajudou a realizar ''todos os sonhos barrocos'', como escreveu Cecília Meireles. Os recursos da mineração - aliados à genialidade dos mestres Ataíde e Aleijadinho - formaram sobre o calçamento de pedra ainda original o maior acervo arquitetônico do barroco brasileiro.
É preciso bater perna para desvendar as heranças desse patrimônio. O roteiro começa na Igreja São Francisco de Assis, obra-prima da arte colonial. Aleijadinho fez o risco do prédio, a portada, a tribuna do altar-mor e a capela-mor, além de esculpir os púlpitos. E Mestre Ataíde pintou o forro da nave, entre 1801 e 1812.
A Matriz de Nossa Senhora do Pilar é a segunda parada. Com 434 quilos de ouro em pó nas talhas da nave e na capela-mor, é considerada a mais rica da região. Também merecem visita a Matriz de Nossa Senhora da Conceição, onde está o Museu Aleijadinho; a Igreja Nossa Senhora do Carmo, única com painéis de azulejos portugueses; e a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, erguida (e freqüentada) por escravos com belíssima fachada em linhas curvas.
Na Praça Tiradentes, o ponto central da cidade, está o Museu da Inconfidência, que apresenta réplicas de Aleijadinho, obras de arte sacra, sepulturas dos inconfidentes e até a suposta forca de Tiradentes. Ali perto, a Casa dos Contos, antiga prisão dos inconfidentes, virou museu e expõe objetos de tortura usados nas senzalas. Se quiser ir um pouco mais longe, suba na tradicional maria-fumaça e siga até Mariana, outro ícone da história nacional.
Capital do poder
Brasília foi a primeira cidade moderna do mundo a ser declarada Patrimônio Mundial. O título, recebido em 1987, refere-se ao conjunto urbanístico construído a partir do plano piloto de Lúcio Costa, o que inclui os projetos arrojados - hoje cartões-postais - do centenário arquiteto Oscar Niemeyer.
Um bom roteiro para conhecer as curvas futurísticas da cidade passa pelo Eixo Monumental, onde estão a Praça dos Três Poderes, a Esplanada dos Ministérios e a Catedral Metropolitana. Todas as instituições têm visitas guiadas.
As cúpulas côncava e convexa do Congresso Nacional e os dois prédios interligados (formando um H) são o símbolo da cidade. No Palácio do Planalto, sede do Poder Executivo - com reforma prevista para agosto -, o turista pode conhecer o gabinete presidencial nos domingos em que o presidente Lula não está lá. O prédio tem obras de arte de Alfredo Volpi, Bruno Giorgi e Di Cavalcanti.
Com colunas de mármore branco, o Palácio da Alvorada, residência oficial do presidente, só recebe visitas às quartas-feiras. E o tour pelo Palácio do Itamaraty, onde fica o Ministério das Relações Exteriores, leva a salões onde o presidente recebe autoridades internacionais.
Não deixe de conhecer a Catedral Metropolitana, um exemplo de arquitetura inovadora, com planta circular e 16 pilares unidos no topo. A nave principal, abaixo do nível do solo, recebe luz natural pelos vitrais pintados por Marianne Peretti. A Via Sacra é obra de Di Cavalcanti.
Mais informações de Ouro Preto: www.ouropreto.org.br
Mais informações de Brasília: www.brasiliatur.com.br
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