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O homem certo no lugar certo

Aos 31 anos, Maarten Baas, o melhor designer de 2009 em Miami, espalha suas peças por lojas e museus

19 de dezembro de 2009 | 16h 00
Marcelo Lima - o Estado de S.Paulo

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Maarten Baas na Design Miami


Designer of the Year é uma premiação instituída pela Design Miami – feira que se realiza em dezembro, paralelamente à edição americana da Art Basel – que se propõe a identificar no cenário internacional os profissionais que mais se destacaram, com base na sua contribuição para o progresso do design.


Lustre e poltrona da série Smoke, produzida pela holandesa Moooi
A distinção já foi conferida a uma lista de peso, como a iraquiana Zaha Hadid, o australiano Marc Newson, o japonês Tokujin Yoshioka e, no ano passado, os irmãos Campana. Todos eles, nomes com lugar garantido nos catálogos de empresas do primeiro time; mas também na imaginação e no desejo dos grandes colecionadores – o foco principal da Design Miami.

E Maarten Baas, de 31 anos, alemão radicado na Holanda, se encaixa perfeitamente no modelo proposto pelo prêmio. Consistente, seu portfólio, concluído em tempo recorde, já inclui peças tanto nas grandes lojas quanto em museus de todo o mundo. À parte sua meteórica carreira, portanto, não causa espanto que ele acabe de ser agraciado com o Designer of the Year de 2009.

"A decisão de entregar o prêmio a alguém tão jovem gerou controvérsias. Mas já entrou para a história", comemora, entusiasmado, o americano Wava Carpenter, sócio-diretor do Design Miami. "Ele mudou o olhar das pessoas sobre o jovem design. Em termos de aceitação e respeito, diria que existe um antes e um depois de Baas", afirma.


Para a galeria Moss, de Nova York, uma versão da estante criada por Ettore Sottsass
Cadeiras da série Standard Unique, de madeira, para a inglesa Established & Sons

O homem certo, no lugar certo. Podem argumentar os mais céticos diante do perfil, sob medida, do criador frente ao cenário marcadamente experimental da feira. Por qualquer ângulo que se observe, porém, é inevitável reconhecer que ele tem todas as qualidades de um artista. Ainda que não codificadas e em pleno processo de elaboração.

NOVA EXPRESSÃO

Nascido em Arnsberg, na Alemanha, em 1978, Bass se transferiu com a família para a Holanda em 1979. Em 1996, iniciou seus estudos na prestigiada Academia de Eindhoven – celeiro da vanguarda do design holandês –, onde se graduou em 2002, com Smoke: série produzida a partir da queima de móveis usados, para, segundo Baas, extrair deles uma nova expressão.


Ventiladores Clay, com acabamento de massa acrílica
Outra cadeira da coleção Smoke

Aclamada pela crítica, a coleção teve três de suas peças selecionadas por Marcel Wanders e para serem produzidas, em escala industrial, pela holandesa Moooi. Graças à exposição conquistada nas feiras europeias, a Smoke está sendo bem recebida também pela crítica internacional, despertando o interesse de algumas galerias e museus.

Em maio de 2004, Baas estreou Where there’s smoke..., mostra solo na badalada galeria Moss, em Nova York, onde, sem maiores pudores, ele se propôs a carbonizar alguns dos clássicos do design internacional, oferecendo, em 25 móveis numerados, a sua versão de criações de Charles Eames, Rietveld e Ettore Sottsass.

"Ainda que a assimetria tenha sido alterada e a superfície, carbonizada, tomo todos os cuidados para preservar o desenho original. Por fim, a resina transparente consolida o processo, selando esse momento de rara beleza", explica o designer, sobre o processo de elaboração de peças, hoje cotadas na casa dos muitos milhares de dólares.

Sucessor natural da Smoke, a série Clay Furniture, com peças deformadas pela argila, foi lançada em 2006 no Salão do Móvel de Milão. Na sequência, Sculpt, de 2007, reúne móveis de madeira, que partem de miniaturas esculpidas pelo próprio Baas em seu "estúdio de investigação", como ele prefere definir seu ateliê, situado em Waalre, no sul da Holanda.

Sua nova coleção de armários, desproporcionais e lúdicos, criados para o Design Miami, tem o melhor estilo Baas. "São como monstros abstratos se comportando como armários. Com portas que, como bocas, podem estar cerradas. Ou escancaradas. A ideia de que as coisas têm de permanecer como são é por demais opressiva".