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O teste do tempo, o desafio dos orgânicos contra o oxigênio

09 de setembro de 2010 | 3h 20
O Estado de S.Paulo

Nicolas Joly diz que seu grande vinho, o Coulée-de-Serrant, precisa de três dias depois de aberto para atingir o apogeu gustativo. Fui testar a afirmação, comparando-o com dois outros vinhos que, para mim, aguentam algum tempo abertos sem perder a graça. Como não moro num frio château do Loire como Joly, mantive os vinhos climatizados a 15 graus durante a prova.

Os escolhidos, além do Coulée 2004 (biodinâmico, R$ 582, Casa do Porto, tel.: 3061-3003) foram um Riesling básico de Loosen (orgânico, R$ 48, Expand, tel.: 3847-4700) e um Jerez doce Pedro Ximenez La Ina Viña 25 (agricultura tradicional, R$ 75, Vinci, tel.: 2797-0000).

# Coulée

DIA 1
O vinho já larga em vantagem, tem 15% de álcool e leve oxidação característica. É potente, aromático e gostoso

DIA 2
A oxidação não se acentua muito, o álcool aparece menos, o aroma ganha complexidade e na boca continua sedutor


DIA 3
A prova de fogo vencida, o nariz está encantador, mel, palha molhada e na boca continua cheio de frescor e sabor

# Riesling

DIA 1
Um bom Riesling alemão, nariz agradável de algo cítrico, leve mineralidade. Bem fresco na boca, gostoso, boa acidez

DIA 2
O aroma começa a mostrar cansaço, na boca ainda é fresco, mas sem a mesma leveza do dia anterior, ainda bebível

DIA 3
O aroma está apagado e tem traço oxidativo. Na boca está exausto, dá para beber, mas melhor usá-lo para fazer molho


# Pedro Ximenez La Ina Viña 25

DIA 1
A uva Pedro Ximenez dá os vinhos mais doces e densos possíveis. Quase viscoso, aroma de frutas secas, ameixas-pretas

DIA 2
É um verdadeiro tanque de guerra, não parece nem ter sido aberto, permanece inalterado em tudo, nariz e boca

DIA 3
Indestrutível, como outros vinhos fortificados, parece eterno, nem se mexeu. Musculoso e sólido. Aguenta tudo