Orquídeas brasileiras, atraentes e valorizadas
Produtores esmeram-se nos cruzamentos para atrair compradores, inclusive do mercado externo
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A ESPÉCIE ‘DENDROBIUM DENSIFLORUM’ –
Com clima propício, Várzea Paulista tornou-se polo de produção
A riqueza de espécies nativas brasileiras de orquídeas e as inúmeras possibilidades de cruzamento entre plantas fazem da produção nacional um mercado atraente para orquidófilos de outros países. De um universo de cerca de 35 mil espécies conhecidas no mundo, 10% são nativas do Brasil, calcula o produtor Apraham Minassian, da Armênia Orquídeas, na capital.
"O cruzamento mais comum é de espécies nativas com exóticas, até chegar às características desejadas", diz o produtor Gerson Augusto Calore, da Biorchids, em Várzea Paulista (SP). Em laboratório, explica o engenheiro agrônomo Antonio Schmidt, da Bela Vista Orchids, em Assis (SP), pode-se obter uma determinada cor após a terceira geração de cruzamentos. "A cor amarela vem de uma catleia exótica; o vermelho, da nativa Sophronitis; o branco, da catleia alba. Depois da terceira geração de cruzamentos destas espécies com a catleia lilás, obtêm-se as cores desejadas", explica. De cruzamento em cruzamento, uma planta pode levar 15 anos ou mais até ficar pronta.
De um total de 1 milhão de orquídeas produzidas em laboratório/ano, Calore exporta 30%. Ele atende a cem produtores do Japão, EUA, Alemanha e China. "Os clientes gostam do produto nacional porque sempre há novidades de espécies e cores. Eles adoram as Cattleyas walkeriana e nobilior", diz o gerente da Biorchids, Tadeu D'Andrea.
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AUTORIZAÇÃO
A exportação deve ser autorizada pelo Ministério da Agricultura e pelo Ibama. Schmidt diz que, além do registro no Mapa, pela legislação, todas as plantas destinadas ao comércio devem ter o Registro Nacional de Cultivares (RNC). A Bela Vista produz de 500 a 1.500 plantas por espécie. São 400 espécies disponíveis ao comércio, entre nativas e exóticas, e a exportação, para EUA, Europa e Ásia, corresponde a 5% do total produzido.
O Ibama emite a autorização prevista pela Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Flora e da Fauna (Cites). "O Cites é pedido via internet, paga-se a taxa e ele sai em 15 dias", diz Schmidt. O produtor então encaminha ao Mapa pedido de permissão de exportação. "É uma lista das plantas exportadas, os registros, nota fiscal e o Cites." No embarque, o Mapa emite o certificado fitossanitário, que comprova que a planta é isenta de pragas.
O produtor deve, ainda, apresentar um cronograma semestral de produção, com as espécies disponíveis para comercialização, e comprovar que as plantas foram reproduzidas em laboratório registrado, e não coletadas na natureza, informa a responsável pela Coordenação de Proteção e Conservação Florestal do Ibama, Claudia Maria Correia de Mello. "Os principais importadores são Alemanha e EUA; 70% das vendas externas saem do Estado de São Paulo", diz Claudia.

LIMPEZA – A funcionária Conceição Magalhães prepara um lote
PREPARATIVOS
Até chegar ao destino final, a planta percorre um longo caminho, que começa no laboratório, onde é feita a seleção. Depois, uma limpeza minuciosa deixa a raiz sem nenhum resíduo de substrato. Com a raiz nua e limpa, a planta, sem umidade, é embrulhada em papel e embalada em caixas de papelão. No aeroporto, se houver suspeita de praga, recebe a aplicação de produto químico, devidamente informado ao comprador.
De acordo com Schmidt, não há limite de idade para exportar uma orquídea e cada mercado tem suas preferências. "Os americanos gostam de plantas robustas e os japoneses preferem plantas compactas, por causa da falta de espaço. A maioria procura plantas de cores vivas. Os mais técnicos procuram por qualidade de forma, que envolve cores, textura, durabilidade, tamanho e raridade."
D"Andrea garante que a planta aguenta até 30 dias dentro da caixa, mas costuma chegar ao destino em 3 dias. "Ao chegar, a orquídea é reclimatizada por uma semana, até ser plantada no local definitivo."
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