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Paisagens vastas, ecoantes e divinas

Eis o resumo preciso de T.E. Lawrence sobre o Deserto Wadi Rum; tour atinge o ápice sob a luz da lua

20 de maio de 2008 | 2h 49
Camila Anauate - O Estado de S.Paulo

A experiência mais emocionante da Jordânia merece ser contada em detalhes, porque cada minuto diante da imensidão do Deserto Wadi Rum compensa a viagem. Não apenas pelo impressionante cenário natural, um mar de areia cortado por gigantescas formações rochosas. Também pela vivência no deserto, o desconhecido que traz algum temor e muito entusiasmo.

Essa aventura inesquecível começa ainda com a luz do sol. Faz calor e não há sinal de nuvens no céu. Primeiro, surgem os Sete Pilares da Sabedoria, belos picos batizados com o nome do livro de T. E. Lawrence, mais conhecido como Lawrence da Arábia (1888-1935). O britânico que lutou do lado dos árabes contra o domínio turco, na Primeira Guerra Mundial, descreveu com perfeição as paisagens do Wadi Rum: ''vastas, ecoantes e divinas''.

Até então, você está no centro de visitantes, deslumbrado com o visual. Mas ainda não faz a menor idéia do que esperar da visita ao deserto.

Um vídeo sobre a vida selvagem local e um almoço à moda árabe preparam (um pouco) o espírito. Então, o ronco dos motores das picapes 4X4 avisa que é hora de invadir o Wadi Rum. Os turistas sobem na caçamba, o vento corta a pele, começa a esfriar. À medida que o carro desbrava a vastidão do vale, surgem montanhas que alcançam até 1.700 metros de altura. São formações rochosas de cor ocre, que contrastam com o tom claro da areia.

INFINITO

Duas horas rodando no meio do nada e você tem a sensação de que o deserto é infinito. Pelo caminho, ruínas, inscrições. Vestígios de 4 mil anos atrás convivendo com tribos beduínas (e seus muitos camelos), que habitam a região.

A primeira parada é uma oportunidade única de sentir a energia do Wadi Rum. Caminhar sem pressa em qualquer direção e ouvir apenas o vento, a respiração e o profundo silêncio. A segunda revela uma maravilha da natureza: a ponte natural de pedra, que pode ser escalada sem dificuldade. O deserto também é radical.

Já é fim de tarde e as picapes levam os turistas para o local do acampamento. A ficha ainda não caiu: você vai passar a noite tal qual um beduíno e dormir no meio do deserto.

ESTRELAS

Os beduínos esperam os visitantes com o melhor da gastronomia (diga-se, carneiro) e da música árabes. E uma fogueira. Faz frio, um frio insuportável, apesar de você estar vestido com as roupas mais quentes da mala. Casaco por cima de casaco. A recepção, por outro lado, é calorosa - e ajuda a superar a baixa temperatura.

Iluminadas por velas, as tendas são surpreendentemente confortáveis (contam com camas e cobertores) e têm algo de fake. Já o cenário ao redor nem parece real, mas é: um céu prateado de tantas estrelas, com uma lua cheia no alto.

Caminhar sem rumo faz parte da experiência. Deitar na areia e ficar assim horas a fio, também. Nesse momento, você percebe a importância de cada minuto. E que o melhor de dormir no deserto é se esquecer de dormir - e passar a noite em claro, bebendo vinho jordaniano e contando estrelas. Porque quando o sol aparecer, será hora de partir.

Wadi Rum: www.wadirum.jo

Acampamento Captain''s: www.captains-jo.com



Tópicos: Deserto wadi rum