Pintado e pirarucu salvos da extinção
Qualquer pesque-pague tem pintado; pirarucu vai pelo mesmo caminho
A história do pintado, surubim ou cachara e também a do pirarucu, ambos peixes nativos do Brasil, pode servir de exemplo e estímulo para a cadeia produtiva do robalo. No caso do surubim,se hoje a reprodução em laboratório e a engorda em fazendas especializadas já são técnicas dominadas e pode-se comprar a espécie em qualquer pesque-pague, há 20 anos era algo impensável. "Na natureza, o pintado come outros peixes, tem hábitos noturnos e vive no fundo do rio", diz o diretor-geral do Projeto Pacu, em Campo Grande (MS), Jaime André Brum, que, autodidata, foi o primeiro a desenvolver a técnica de reprodução e larvicultura do pintado, após noites em claro só observando e testando alimentos para alevinos.
"O pintado era um peixe caro e estava desaparecendo dos Rios Paraná e Paraguai e da Bacia Amazônica. A pressão sobre a espécie serviu de estímulo para meu trabalho, que foi totalmente empírico."
Brum trouxe dos EUA um modelo técnico produtivo, e o adaptou para o clima brasileiro. De lá vieram também técnicos e as primeiras redes. "Até o domínio da tecnologia, foram pelo menos 17 anos." Hoje a engorda é feita em tanques de 2 hectares, com menos de 2 metros de profundidade, e a alimentação e colheita dos peixes são mecanizadas.
A técnica de reprodução, hoje, é feita em laboratórios. A ração, à base de grãos e farelo de soja, foi desenvolvida em parceria com empresas do setor. O Projeto Pacu produz mais de 2 milhões de alevinos de pintado/ano. Cerca de 70% da produção de alevinos é engordada no próprio Estado, que produz em torno de 4 mil toneladas de pintado por ano.
NA AMAZÔNIA
A criação em cativeiro também pode salvar o pirarucu da extinção, que sofre com a pesca predatória, diz a coordenadora do Projeto Estruturante do Pirarucu da Amazônia, do Sebrae, Roberta Figueiredo. O projeto começou em 2007, com a instalação de unidades de engorda no Acre, Amazonas, Amapá, Rondônia, Roraima e Tocantins. "O objetivo é desenvolver metodologia para tornar viável o cultivo do peixe até a comercialização", explica.
Hoje, as 30 unidades de engorda produzem 50 toneladas de peixes, utilizadas por enquanto para pesquisas de mercado. Os alevinos são engordados em tanques escavados, tanques-rede ou açudes. A densidade varia e, segundo Roberta, ainda não se chegou a uma população ideal. Ela diz que todos os alevinos que entram nas unidades de engorda já vêm de criatórios. "Nossa unidade de Pimenta Bueno (RO) produziu, de dezembro a fevereiro, 70 mil alevinos." Em três anos, o projeto disponibiliza 40 mil alevinos para venda, ao custo R$ 6/alevino com 10 centímetros.
Já há rações comerciais de boa qualidade. "Como o pirarucu é carnívoro, a ração tem de ter alto teor de proteína." As informações de todas as unidades de engorda do projeto estão sendo reunidas e a previsão é de, em junho de 2010, publicar um manual de criação.
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