Sem comprador, preço do arroz cai no Sul
Reajuste de cotações entre o fim do ano passado e o início de 2010 fez varejo reduzir quantidade de pedidos
ARROZ ESTOCADO - Produtor tem cereal em quantidade, o que desacelera compras da indústria
Após várias semanas de alta, a cotação do arroz recuou na última semana no Rio Grande do Sul, sob efeito da ausência de grandes indústrias compradoras. A retração foi consequência da atitude do varejo, que sentiu o efeito dos reajustes do grão entre o fim de dezembro e janeiro e reduziu seus pedidos.
Os preços mostraram estabilidade por vários meses no ano passado até que o clima começou a prejudicar a safra do Rio Grande do Sul com as constantes chuvas de novembro. O mercado passou então a trabalhar com previsão de perdas na lavoura e alongamento da entressafra, por causa do atraso no plantio. A saca de 50 quilos de arroz no Rio Grande do Sul, medida pelo índice Cepea/Esalq/BM&FBovespa, fechou em queda na semana passada. No acumulado de janeiro, a elevação foi de 9,8%, para R$ 32,70 no último dia do mês, informou a analista do Cepea Maria Aparecida Braghetta. Em janeiro de 2009, o produto havia aumentado apenas 2,16%, para R$ 32,40.
ALONGAMENTO
O clima melhorou no Rio Grande do Sul, mas isso não significa que a colheita será fértil, ponderou o sócio da corretora Cereais Pampeiro, Zélio Hocsman. Ele espera o alongamento da colheita da safra pelo menos até junho, por causa do atraso na instalação da lavoura. "Vamos ter um período de estresse (no mercado) até março", previu. O andamento da safra está atrasado, conforme a Emater. Nesta época de 2009, a safra já apresentava 4% da área em condições de colheita, enquanto este ano a parcela pronta é insignificante.
Outro fator que influenciou o recuo da indústria foi a colocação de estoques privados em seus armazéns. O produtor deposita o arroz na indústria e aguarda o melhor momento de efetivar a venda. O movimento demonstrou que o estoque privado é um pouco maior que o esperado e a indústria, por isso, não tem razão para comprar agora, explicou Hocsman. São as menores empresas que mantêm pedidos de compra.
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