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Serra, santuário e ruína cheios de história e cultura

Relíquias como pinturas rupestres e esculturas de Aleijadinho ainda recebem poucos visitantes

22 de abril de 2008 | 2h 47
Mônica Nóbrega, de O Estado de S.Paulo

O Parque Nacional Serra da Capivara, no Piauí, ainda não foi descoberto pelos turistas. Apesar de estarem ali os sinais mais antigos da presença do homem nas Américas, da paisagem que faz pensar na pré-história e do relevo bastante adequado à prática de esportes radicais, menos de 10 mil pessoas visitaram o local no ano passado.

Os municípios de Congonhas, em Minas, e São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul, têm desempenho um pouco melhor: receberam, respectivamente, 80 mil e 100 mil turistas em 2007. Mas o número ainda é pequeno diante da importância desses locais, declarados Patrimônios Culturais da Humanidade pela Unesco e que têm, em comum, o fato de preservarem resquícios da história e da cultura humana em território brasileiro.

Serra da Capivara

Formações rochosas e vales dominam a paisagem nos 129 hectares. Alpinismo, trekking e vôo livre são opções entre os paredões de pedra. Pelo menos 360 sítios guardam vestígios da presença humana de 45 mil anos atrás, o que inclui pinturas rupestres incrivelmente bem conservadas. Fauna e flora pouco estudadas fecham a lista de motivos para o turista se encher de disposição e vencer os 530 quilômetros entre a capital piauiense, Teresina - ou os 300, a partir de Petrolina, em Pernambuco -, e o Parque Nacional Serra da Capivara.

O lugar foi declarado patrimônio pela Unesco em 1991. Um dos destaques, cartão-postal da reserva, é o sítio arqueológico Toca do Boqueirão da Pedra Furada. Há um centro de visitantes com lanchonete, exposição permanente e vídeos.

Alguma infra-estrutura - bem simples - para receber turistas pode ser encontrada no povoado Sítio do Mocó e na cidadezinha de São Raimundo Nonato. Não dispense a visita ao Museu do Homem Americano para ver pedras esculpidas, encontradas em escavações, e até um corpo mumificado.

Congonhas

A obra Os Doze Profetas, esculpida em pedra-sabão por Aleijadinho e que fica dentro do Santuário de Bom Jesus de Matosinhos, foi parar na lista de Patrimônios Culturais da Unesco em 1985. Congonhas, a cidade onde está o santuário, a 85 quilômetros de Belo Horizonte, faz parte do roteiro de Cidades Históricas de Minas Gerais, junto com Ouro Preto, Mariana, Tiradentes e São João Del Rey - um conjunto que pode ser comparado a um verdadeiro museu do barroco brasileiro.

São Miguel das Missões

Na Rota das Missões, composta por 27 municípios no Rio Grande do Sul, São Miguel tem as ruínas mais preservadas, as da Igreja de São Miguel, onde todas as noites ocorre um show de sons e luzes que conta a saga dos jesuítas (R$ 5 por pessoa). O roteiro reúne as evidências arqueológicas, arquitetônicas e culturais da passagem das missões jesuíticas enviadas pela coroa espanhola, a partir do século 17, para difundir a fé cristã entre os índios guaranis.

O pequeno município de economia rural não tem mais do que 7.400 habitantes e 300 vagas nos hotéis e pousadas. O Museu das Missões, projetado por Lúcio Costa, completa o passeio.

Basílica do Senhor Bom Jesus de Matosinhos: (0--31) 3731-1590

Museu do Homem Americano: www.fumdham.org.br

São Miguel das Missões: www.saomiguel-rs.com.br