Taj Mahal, a escultura do amor eterno
Templo foi construído por sultão em memória de sua esposa preferida
No leito de morte da mulher preferida, Mumtaz Mahal, o sultão Shah Jahan fez três promessas: não se casaria novamente, criaria os filhos e construiria um templo, o mais belo já visto, em sua memória. Desse compromisso apaixonado - e desesperado - nasceu o Taj Mahal (Palácio da Coroa), um colosso de mármore branco cujas paredes são esculpidas à mão.
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Às margens do Rio Yamuna, o mausoléu levou 12 anos para ser erguido, em 1643, por 20 mil trabalhadores, e custou 41 milhões de rupias. À frente, abre-se um impressionante jardim, o equivalente à visão do paraíso para os muçulmanos; dos lados, há uma mesquita e a casa dos trabalhadores que ergueram o monumento. Atrás, o rio e, se o sultão não tivesse sido preso pelo filho, ali haveria um mausoléu idêntico, de mármore preto, para ele. Hoje, é possível ver apenas pequenos alicerces do que seria outro impressionante monumento.
No subsolo do Taj estão enterrados os corpos do casal. Não é possível ver os túmulos, mas há uma réplica na entrada. Fotos são proibidas - e, atenção, o policiamento é atento.
Nas paredes de mármore estão impressos flores coloridas - como lírios e narcisos -, arabescos e trechos do Alcorão, utilizando a técnica pietra dura. Peças feitas com o mesmo métodos podem ser encontradas em larga escala em Agra. Só tome cuidado para não acabar comprando uma pedra branca e sem valor no lugar (e pelo preço) de mármore.
O ingresso para o complexo do Taj custa 750 rupias (R$ 36) e o visitante ganha proteção de sapato, para não arranhar o chão, também de mármore. Não é permitido entrar com mochilas grandes, aparelhos eletrônicos, cigarros, fósforos ou isqueiros. Nem leve, pois a fiscalização no monumento, incluído na lista das Sete Novas Maravilhas do Mundo, é extremamente rigorosa.
Prisão
Com 2 milhões de habitantes, Agra vive à sombra do Taj, mas há pelo menos mais um local de interesse: o Forte de Agra, também às margens do Rio Yamuna, de onde é possível ter uma vista e tanto do Taj Mahal, a 2 quilômetros dali.
O monumento foi erguido antes do Taj, em 1573, pelo sultão Akbar. Outros imperadores que ocuparam a construção também foram imprimindo suas características. Shah Jahan, claro, deixou sua marca - ele ficou preso e passou seus últimos dias ali, na Musamman Burj, uma torre com vista para o Taj, por ordem do terceiro filho, Aurangzeb.
Há quartos impressionantes, com pedras preciosas, como rubi e lápis lazuli, encravadas nas paredes - e muitas já retiradas por turistas-vândalos que, agora, são separados desses aposentos por cercas.
Vale a pena dar um pulinho no diwan-i-aam, o espaço usado pelos imperadores para realizar audiências públicas. Com uma seqüência de arcos, é de impressionar. Entradas a 200 rupias (R$ 9,50).
Cidade de Pedra
A 40 quilômetros de Agra fica a cidade fantasma de Fatehpur Sikri. Erguida entre 1571 e 1585 pelo imperador Akbar, serviu como capital do império muçulmano na Índia por 14 anos - e foi abandonada depois que a água na região acabou. Apesar do deslize logístico, o sultão era bem engenhoso.
Em seu harém eram três as mulheres principais: uma cristã, uma muçulmana e uma hindu - esperto, ele logo entendeu que só governaria com o apoio das três religiões. Fatehpur Sikri também é um espelho dessa mistura. Há elementos muçulmanos ao lado de esculturas hindus. O quarto da esposa muçulmana é o menor, mas ricamente esculpido, incluindo o teto.
Por causa do calor inclemente na cidade de pedra - dependendo do horário, a visita pode se transformar em tortura -, o cômodo de verão tinha dois andares e era chamado de quarto dos sonhos. O primeiro piso ficava praticamente coberto de água, o que devia dar um bom refresco nas horas mais quentes do dia. Há, ainda, uma espécie de banco central, onde o dinheiro era depositado por meio buracos nas paredes que davam no subsolo, uma cozinha - usada preferencialmente pela mulher hindu -, uma belíssima sala de audiências e um salão aberto onde as mulheres se divertiam jogando uma espécie de avô do Ludo.
Santo
Logo ao lado de Fatehpur Sikri está o complexo da mesquita Jami Masjid. A entrada é pelo Buland Darwaza, um enorme (54 metros) e belíssimo portão de 1573. Dentro desse complexo está a tumba de Salim Chishti, um dos mais famosos santos sufi. Conta-se que Akbar era seu devoto e rezou para ter filhos - e o santo mandou logo três.
Seu lindíssimo mausoléu de mármore branco atrai gente de todo mundo (e de várias crenças), que ali depositam toda sorte de pedidos amarrando umas tirinhas de algodão nas paredes e janelas do lugar.
Taj Mahal: tel.: (00--91-562) 233-0496; Fatehpur Sikri: tel.: (00--91-562) 236-0517
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