Três candidatas totalmente diferentes
Uma praça em Sergipe, uma rota em Paraty e a 'Paisagem Cultural do Rio' estão na fila de espera pelo título
O Brasil pode ter reconhecido seu 18º Patrimônio da Humanidade ainda neste ano. Das três candidatas ao título, a Praça São Francisco, que fica na cidade de São Cristóvão, antiga capital do Sergipe, está mais perto de receber a declaração da Unesco. O dossiê da candidatura foi aceito pela instituição no ano passado, e os especialistas já vieram ao País para avaliar o valor cultural e histórico da região. O parecer final deve sair em julho, durante a próxima reunião anual do Comitê do Patrimônio Mundial, que será realizada em Quebec, no Canadá.
Nem todo mundo ouviu falar dessa cidade, mesmo porque Sergipe está longe de ser um dos principais destinos no Nordeste para onde seguem os turistas. Mas São Cristóvão guarda um conjunto de casarios, igrejas e museus monumentais. O traçado urbanístico original do terreno (de 1590, data da fundação da cidade) também está bastante preservado.
''A particularidade do local é a relação entre as riquezas culturais e naturais, no caso, o mangue'', opina Thays Pessotto Zugliani, representante brasileira no comitê da Unesco. Thays está confiante de que São Cristóvão será incluída na lista. ''A candidatura foi muito bem trabalhada pela prefeitura'', comenta. ''E é importante que os moradores estejam mobilizados porque ser um Patrimônio da Humanidade exige muita responsabilidade.''
Na Praça São Francisco, poucos passos levam a todas construções históricas. O passeio deve incluir o Museu Histórico, a Igreja Nossa Senhora da Visitação (1607) e o Museu de Arte Sacra no Convento de São Francisco, com cerca de 500 peças dos séculos 17 ao 20.
Estado do Rio
A Rota do Ouro em Paraty (RJ) também é candidata ao título de Patrimônio Cultural da Humanidade. O dossiê sobre as características ímpares da região já foi apreciado pela Unesco, mas os técnicos da instituição ainda não visitaram nem avaliaram o caminho. Com isso, o parecer final só deve ser votado na reunião do Comitê do Patrimônio Mundial em 2009.
Parte da Estrada Real, que começou a ser construída no século 17, a Rota do Ouro era o caminho por onde passavam escravos e pedras preciosas. O ouro explorado na região, aliás, financiou a Revolução Industrial européia e abriu caminho para a colonização.
Já o dossiê que defende a candidatura da ''Paisagem Cultural do Rio'' ainda está sendo elaborado. Segundo Thays, é a ''paisagem que compreende o mar, o tecido urbano e as montanhas vegetadas ao fundo'' que está em questão. ''Esse sítio geomorfológico é único na costa brasileira'', afirma. ''E, com certeza, tem um valor excepcional e universal.''
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