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Turistas participam das atividades

Em pequenas propriedades de Santa Catarina, rotina agrícola não é alterada por[br]causa dos hóspedes

04 de agosto de 2010 | 2h 38
Leandro Costos - O Estado de S.Paulo

Para o agricultor Valnério Assing, proprietário da pousada Doce Encanto, no município catarinense de Santa Rosa de Lima, o turismo rural foi o que permitiu que ele se mantivesse no campo, com a mulher e dois filhos. Em 1994, com a entrada do Plano Real, ele enfrentou dificuldades, com a queda do valor dos produtos agrícolas. Nessa época ele só não foi para o Guarujá (SP) para trabalhar como caseiro porque o empregador queria um casal sem filhos. Alguns anos se passaram e Assing continuava em dificuldades, tendo que mudar de atividade rural diversas vezes.
Associação. Até que em 1998 o agricultor acabou ingressando em um grupo chamado Acolhida na Colônia, uma associação de agricultores que têm a proposta de utilizar o agroturismo para valorizar o modo de vida no campo. "Adaptei uma estufa de fumo desativada e a transformei inicialmente em um refeitório", conta. "Passamos a oferecer refeições para os turistas que vinham visitar as propriedades vizinhas e algum tempo depois montamos a pousada, que hoje tem capacidade para 15 pessoas."

Na pousada de Assing, assim como nas demais 178 que integram a associação, os hóspedes têm um contato direto com o que é a vida de um produtor rural. Ele conta que, diferentemente dos hotéis fazendas, que possuem serviço de quarto e outras facilidades, na sua pousada a rotina na pequena indústria de melaço de cana não é alterada por causa dos clientes, que são tratados como visitas e convidados, se quiserem, a colocar a mão na terra e participar das atividades.

Incentivo. Assing diz que mais que manter o homem do campo no seu local de origem o turismo rural, por suas perspectivas positivas, também incentiva as próximas gerações a valorizar esse modo de vida. Ele cita como exemplo a própria filha, que se formou em agronomia e hoje dá consultoria para as propriedades vizinhas, e do filho mais novo, que já planeja adquirir uma propriedade na região para abrir a própria pousada.

De olho nesse estilo de vida tranquilo, o empresário Fernando Monteiro, dono do sítio Pasárgada, que produz hortaliças de forma orgânica e também funciona uma pousada, fez o caminho contrário. Após viver muitos anos em São Paulo (SP) ele se mudou para Florianópolis, onde conheceu sua esposa e, em 2003, mudou para o sítio, na cidade de Anitápolis, e montou a pousada.

"O turismo rural me permite viver o meu sonho de uma vida mais tranquila. Algo que seria inviável se eu fosse viver somente da agricultura". Segundo ele, 70% de sua renda vem das hospedagens. / L.C.