Uma inexplicável trama de ruelas de pedra
Machu Picchu foi desenhada para agüentar terremotos; lugar recebe 700 mil visitantes por ano
Inacreditável uma civilização que não conhecia a roda ser capaz de construir uma cidade de pedra, a 2.400 metros de altitude. Um lugar místico, rodeado por profundos cânions e montanhas cobertas de vegetação. Mais admirável é saber que essa cidadela ficou perdida na história por quatro séculos. Prepare-se: um turbilhão de (inexplicáveis) perguntas toma conta dos turistas que chegam a Machu Picchu.
A cidadela de pedra dos incas é muito, mas muito mais do que a fama que ostenta. É daqueles lugares onde nada, nem mesmo fotos e filmes, pode traduzir um momento, uma sensação. Não tenha pressa. Admire cada ângulo das pedras perfeitamente talhadas e polidas.
Não se sabe ao certo o real significado de Machu Picchu, mas acredita-se que o local tenha sido centro religioso e observatório astronômico. O fato é que foi abandonado. E redescoberto séculos mais tarde, em 1911, pelo explorador americano Hiram Bingham, que só chegou ali com a ajuda de um guia.
Para alcançar Machu Picchu hoje, os turistas têm duas opções. A primeira é caminhar durante quatro dias na trilha antigamente usada pelos próprios incas. Quem não tiver tempo nem preparo físico para a jornada deve ir de trem.
A locomotiva sai de Cuzco e percorre 111 quilômetros até Aguas Calientes. A viagem leva três horas, mas o turista nem percebe. Ao seguir o curso do Rio Urubamba, o cenário muda, vai ganhando cor e som. A vegetação rasteira dá lugar à densa floresta tropical.
Já em Aguas Calientes, um pequeno povoado repleto de barracas de artesanato, é preciso pegar o ônibus que leva à entrada do santuário. Mais 20 minutos - e muita ansiedade - por uma sinuosa estrada.
Explorando a cidadela
A primeira coisa que qualquer turista faz é tirar a clássica foto no cenário mais manjado de Machu Picchu. Mas a paisagem demora a aparecer. É preciso subir alguns metros pela trilha à esquerda. Aí, sim, a cidadela se apresenta como num quadro.
Aproveite para fotografar antes de passar pelo portal de entrada da cidade. E não se esqueça de acompanhar um guia, pois é importante entender a engenhosidade do povo inca.
Machu Picchu foi dividida em duas zonas. Na agrícola estão terraços para cultivo e armazéns. Na urbana, templos, praças, mirantes e relógios entalhados nas pedras.
São, ao todo, 216 construções. Entre as mais conhecidas está o Templo do Sol, semicircular e com janelas trapezoidais por onde passavam os raios solares. A posição dessa estrutura indica que os incas conheciam o solstício de verão e de inverno. Já o Templo de las Tres Ventanas impressiona pelos enormes poliedros unidos com milimétrica precisão.
Outro dado de cair o queixo é que uma falha geológica de 400 quilômetros atravessa Machu Picchu - e os incas sabiam disso. Eles usaram técnicas anti-sísmicas nas construções e, depois de séculos (e terremotos), parte da cidadela está intacta.
O grande segredo do Império Inca tornou-se Patrimônio Cultural e Natural da Humanidade e uma das sete maravilhas modernas do mundo. Machu Picchu recebe 700 mil turistas todos os anos.
Trem: www.orient-express.com: Cuzco-Machu Picchu-Cuzco custa US$ 96 (R$ 175). Ônibus: ida e volta entre Aguas Calientes e Machu Picchu por US$ 12 (R$ 22). Machu Picchu: entrada a 120,50 soles (R$ 75)
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