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Vale a pena comprar um 'city pass'?

Depende do tempo de estada, do interesse do visitante e da modalidade, mas a maioria apresenta vantagens

22 de abril de 2008 | 2h 47
Camila Anauate - O Estado de S.Paulo

A promessa: entrada sem fila nos cartões-postais, uso ilimitado de transporte público e descontos em restaurantes, lojas e casas noturnas. Tudo com um bilhete em mãos e por um preço aparentemente imbatível.

 

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O ''santo'': Welcome card, city pass. Não importa o nome que leva; todo destino badalado que se preze tem um desses cartões na cesta de ofertas turísticas - o Rio vai relançar o seu em maio. Puro marketing ou o produto realmente vale a pena?

A verdade: depende. Depende das vantagens oferecidas pelos passes, do tempo que o turista ficará na cidade e das atrações indispensáveis no roteiro. Muitos cartões não incluem os points básicos e, em cidades como Londres, por exemplo, onde a maioria dos museus é de graça, eles perdem um pouco a utilidade.

Para tirar a dúvida, a solução é colocar tudo na ponta do lápis. E, para ajudar com os cálculos, selecionamos destinos de ponta na Europa e nos Estados Unidos, montamos um guia básico em cada um deles - com visitas aos principais pontos turísticos utilizando metrôs, trens e ônibus - e comparamos as despesas com e sem os tais cartões de boas-vindas.

Os resultados mostram que o city pass se torna mais vantajoso à medida em que o visitante estica a viagem. Assim, é possível explorar o máximo de atrações gastando menos. Em alguns casos, porém, o passeio fica até mais caro com o cartão. Mas, segundo viajantes experientes, a comodidade de não precisar ter dinheiro trocado na carteira para pagar o metrô não tem preço.

Londres

Numa das cidades mais caras do mundo, mas com atrações gratuitas imperdíveis como o British Museum e a Tate Modern, o London Pass não é vantajoso para quem vai ficar um ou dois dias e priorizar visitas a museus. Por outro lado, dá passe livre para outras 55 atrações cobradas, como a Torre de Londres e o Castelo de Windsor, com direito a furar fila, além de descontos em restaurantes e lojas e um guia da capital inglesa.

Se comprar também o London Travelcard, o turista poderá usar livremente todos os meios de transporte (metrô, ônibus e trem) entre as zonas 1 e 6 - que incluem os aeroportos de Heathrow e o London City.

Considerando que, em um dia, o visitante irá à Torre de Londres, ao London Zoo, ao Castelo de Windsor e fará um cruzeiro pelo Tâmisa, tudo isso utilizando quatro meios de transporte, ele gastará 66,70 libras (R$ 220). O London Pass com o Travelcard válido por um dia custa 43 libras (R$ 141,82). E, ainda que esse roteiro seja feito em dois dias, o passe vale a pena: 62 libras (R$ 204,50).

A vantagem aumenta com o número de diárias. O London Pass de seis dias custa 120 libras (R$ 395,80), ou seja, 20 libras (R$ 65,96) por dia. Só a entrada na Torre de Londres custa 16 libras (R$ 52,77 ), no London Zoo, 14,50 libras (R$ 47,82), e no Windsor Castle, 14,20 libras (R$ 46,83). Nesses casos, corra e compre. Confira: http://www.londonpass.com/.

Paris

A capital francesa tem diversos tipos de cartões turísticos. O Paris Visite é um cupom válido para ônibus, metrô e trem dentro das zonas 1 a 3, para um período de um a cinco dias. Já o Paris Museum Pass dá acesso (sem fila) a 60 museus e monumentos, entre eles, Arco do Triunfo, Museu do Louvre e Centro Pompidou, e tem disponibilidade de dois, quatro ou seis dias.

Combinando o Paris Visite e o Museum Pass de dois dias, o turista gastará 44 (R$ 117) e poderá visitar o máximo de atrações com uso livre do transporte público. Se, nesse período, visitar sem os passes Arco do Triunfo, Louvre, Museu d''Orsay, Centro Pompidou e as torres da Catedral de Notre Dame, utilizando quatro meios de transporte por dia, gastará 56,70 (R$ 150,73). Atenção: a maioria dos museus tem entrada grátis para quem tem menos de 18 anos. Site: http://www.parisinfo.com/.

Madri

A não ser que o turista pague pelo conforto, o Madrid Card só vale a pena para quem ficar na cidade por mais de três dias. Como o transporte é barato ( 1 ou R$ 2,63, metrô e ônibus), assim como as principais atrações (Museu do Prado, Reina Sofía e Thyssen-Bornemisza, por 6 ou R$ 15,81 cada), não compensa comprar os passes válidos por 24 ou 48 horas, que custam 42 (R$ 111,65) e 55 (R$ 146,21). Mesmo que o turista vá a esses três museus e ao Palácio Real ( 8 ou R$ 21,08) no mesmo dia, um roteiro bem corrido, gastará 26 (R$ 69,11) - e os pontos turísticos ficam tão próximos entre si que nem será preciso pegar o metrô.

De qualquer maneira, é cômodo ter o Madrid Pass em mãos, que dá direito a entrada em 40 museus, à visita ao estádio Santiago Bernabéu, ao tour no ônibus turístico Madrid Visión, além de descontos em lojas e restaurantes e guia e mapa da capital. Site: http://www.madridcard.com/.

Barcelona

O Barcelona Card tem um preço bem vantajoso mesmo para quem vai passar só um fim de semana na cidade. O passe de dois dias custa 25 (R$ 66,46) e inclui acesso ilimitado ao transporte público, gratuidade em 12 museus e descontos em outros 80 estabelecimentos culturais. Somadas, as entradas nas principais atrações - Jardim Botânico ( 3,50 ou R$ 9,30), Museu Picasso ( 9 ou R$ 23,92), Fundação Joan Miró ( 8 ou R$ 21,26) e Casa Batlló ( 16,50 ou R$ 43,86) - saem por 37 (R$ 97,47). Ou seja, comprar o cartão é bom negócio. Site: http://www.barcelonaturisme.com/.

Lisboa

A utilidade do Lisboa Card depende do que o turista quer ver. O passe dá acesso a alguns museus, mas em outras atrações, como o Castelo de São Jorge, o desconto é de 30%. O cartão leva vantagem apenas pela comodidade - na comparação final de despesas, a economia é de 1 (R$ 2,63) com o passe.

Um dia de Lisboa Card custa 15 (R$ 40) e, além dos descontos, garante transporte público à vontade. Se o turista visitar com ele o Mosteiro dos Jerónimos , a Torre de Belém, o Castelo de São Jorge e o Museu de Arqueologia, gastará 18,50 (R$ 49,18). Pagando separadamente cada atração e o transporte, a conta sobe para 19,50 (R$ 51,83). Mais informações: http://www.askmelisboa.com/.

Berlim

Mesmo sem oferecer gratuidade na maioria das atrações, mas, sim, descontos que chegam a 50%, o Berlim Welcome Card ganha pontos pelo acesso ilimitado no sistema de transporte público. Como a passagem unitária em metrôs, ônibus e trens dentro das zonas A e B custa 2,10 (R$ 5,58), e considerando que o turista faça quatro viagens por dia, ele gastaria 16,80 (R$ 44,66) em dois dias de passeios. O Welcome Card de 48 horas custa 16,50 (R$ 43,86). Gasto compensado sem considerar os descontos em lugares como Deutsche Guggenheim, Anne Frank Centre e Zoologischer Garten. O passe ainda inclui guia e mapa da capital alemã. Confira: www.visitberlin.de/welcomecard.



Tópicos: Turimo, 'city pass'