Viajando a passeio
Para muitos turistas, uma viagem nada mais é do que uma coleção de passeios - de preferência, com hora marcada, traslado organizado e guia. "O que vamos fazer hoje?" é uma pergunta cuja resposta muitas vezes já foi decidida meses antes. Há quem iguale um dia livre (que não seja para compras!) a um dia perdido, já que sem passeio programado é como se a viagem não acontecesse. Será mesmo?
O Turista Profissional tirou o dia para guiar você num tour por todas as opções possíveis para ocupar o seu tempo viajando. Quer embarcar?
City tour. O city tour convencional, em que você e um grupo sobem num ônibus para três horas de passeio pelas principais atrações de uma cidade, está entrando em desuso. Como todo o grupo precisa descer em todas as paradas - o que toma tempo -, as escalas costumam ser poucas e espaçadas; você passa quase o tempo todo dentro do ônibus (e se não conseguir a janelinha, vai ver pouca coisa). O modelo resiste basicamente para cumprir tabela como brinde na composição de pacotes. Na vida real, é usado pela agência de turismo receptivo como uma oportunidade para vender outros passeios - esses, normalmente, melhores.
Ônibus hop-on/hop-off. O nome é esquisito, mas já se tornou padrão (lembra como você também achava estranho "drive-thru"?). O termo designa aqueles ônibus panorâmicos, geralmente de dois andares (em algumas cidades, com o de cima aberto), que percorrem todo o circuito de atrações turísticas, passando em intervalos determinados. O esquema é uma evolução do city tour tradicional, porque o passageiro pode descer onde quiser, ficando o tempo que precisar. O bilhete vale o dia inteiro - e costuma haver tíquetes válidos para dois ou três dias. O roteiro é narrado por meio de fones de ouvido em diversos idiomas. E o deque aberto é um ótimo lugar para fazer fotos. A maioria das cidades muito visitadas oferece o serviço: Londres, Nova York, Paris, Barcelona, Lisboa... Na América do Sul, Buenos Aires e Santiago têm seus hop-on/hop-off. No Brasil você pode fazer esse city tour self-service em Curitiba, Salvador e Brasília.
Passeios opcionais do pacote. Muita calma nessa hora! As agências de turismo receptivo responsáveis pelo traslado e city tour tentam usar esses momentos em que o grupo inteiro está reunido para vender o máximo possível de passeios extras. Até aí, tudo bem: é realmente uma comodidade não precisar esquentar a cabeça com nenhuma providência até o fim da viagem. O problema é que, para cumprir suas metas, os guias-vendedores costumam inventar, ou no mínimo exagerar, as dificuldades de fazer os passeios por conta própria. Além disso, você pode vir a descobrir passeios melhores. Ou chegar à conclusão de que não é preciso passear tanto - já que, muitas vezes, os passeios servem apenas para afastar você do lugar que foi visitar. Conselho: adquira com moderação.
Passeios de agências locais. A maior dúvida de turistas independentes de primeira viagem é como farão para se virar no local, sem o apoio do turismo receptivo dos pacotes ou a proteção das excursões. Surpresa! Em todo lugar turístico o que não falta são fornecedores de passeios. Na própria recepção do seu hotel você vai encontrar catálogos e folhetos de muitas agências locais. Mesmo nos lugares mais exóticos: quando um destino "novo" aparece no nosso caminho, é porque já foi trilhado por dezenas, centenas de milhares de turistas. Quando chega a nossa vez, a estrutura já está criada e testada.
Tours alternativos. Para quem gosta de visitas guiadas, vale muito a pena pesquisar tours alternativos ao city tour padrão. No exterior existe a barreira da língua, mas mesmo perdendo parte da explicação você acaba andando por cantos que talvez não percorresse, e conhecendo viajantes possivelmente interessantes. Caminhadas guiadas normalmente rendem tours excelentes. Uma grande fonte para passeios não-caretas são as recepções dos hostels. Dê uma espiada mesmo se você não estiver hospedado.
Por conta própria. Leva mais tempo, dá trabalho e sempre ocasiona algum perrengue, mas o fato é que explorar um lugar por conta própria dá outras cores à sua viagem. Saindo da redoma dos city tours, hop-on/hop-offs e passeios organizados você sai da redoma dos turistas e descobre coisas fora do script. Nas histórias que contar em casa, os personagens serão pessoas do lugar, e não apenas colegas de ônibus. Nas grandes cidades da Europa e em Nova York, o transporte público eficiente proporciona - e faz parte de todos os passeios que você quiser fazer. Nas praias do Brasil, um carro alugado permite que você faça todos os programas no seu ritmo (e, dividindo o aluguel entre duas ou três pessoas, sai o preço dos passeios de ônibus). Para tudo dar certo, basta ir com algum tempo sobrando e ter jogo de cintura para usar passeios organizados quando for conveniente.
Com antecedência ou na hora? Vale a pena reservar (e, se for o caso, pagar) com antecedência tudo o que envolver limitação de vagas (como o trem para Machu Picchu ou a visita à Última Ceia de Da Vinci em Milão), ou ainda que possibilitar visitas com hora marcada, sem filas (Galeria Uffizi em Florença, museus do Vaticano) ou proporcionar descontos efetivos (como bate-voltas de trem na Europa).
Tudo o que não se enquadrar nessas categorias pode ser decidido in loco. Não vale a pena sobrecarregar de antemão a sua estada com programas que talvez você não sinta necessidade de fazer depois de chegar. Explorar com as suas pernas o que está ao seu redor pode acabar sendo a atividade mais divertida da sua estada.
Beatriz e Denise se conheceram quando se preparavam para fazer intercâmbio, na década de 1970. Cada uma tocou sua vida, mas continuaram viajando juntas. E hoje, cinquentinhas, contam suas viagens neste blog, que já começa com relatos da Argentina, Colômbia e África do Sul
Dossiê
A temporada 2011 do Keukenhof
Tulipas! Tulipas!
Keukenhof é o nome de um jardim botânico de Lisse, a 35 quilômetros de Amsterdã. Situado numa região produtora de flores, é famoso por seus jardins de tulipas, abertos menos de dois meses por ano, durante a floração na primavera.
2011: as datas
Os sortudos que poderão visitar o Keukenhof este ano são os que estarão na Holanda de 24 de março a 20 de maio, das 8 h às 19h30 (bilheterias fecham às 18 h). Entrada: € 14,50 (adultos) e € 7 (crianças de 4 a 11 anos).
Como chegar
A maneira mais fácil é ir até o aeroporto Schiphol e lá pegar o ônibus 58, que sai a cada 15 minutos e leva 40 minutos até o parque. Ingressos combinados com transporte custam € 21 (adultos), € 11 (crianças) e € 18 (maiores de 65 anos).
Parada das Flores
O evento mais esperado é o Bloemcorso, ou Parada das Flores, quando carros alegóricos recobertos de flores percorrem 40 quilômetros entre os campos da região. Este ano, a parada ocorre dia 16 de abril.

Casal Silvestre
Sílvio e Flora Silvestre acreditam que todos podem praticar o turismo sustentável
"Alô, hotéis! Que tal divulgar para os hóspedes suas práticas de uso consciente de recursos e reciclagem de resíduos? Assim fica mais fácil acreditar que o pedido de reutilização das toalhas não é só para economizar na lavanderia"
Veja também:
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