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"E se o e-mail fosse criado hoje?" – eis o ponto de partida do Wave
Explicar o Google Wave é difícil. Quem explica precisa descrever que o programa faz, e quem ouve deve abstrair para captar o que a ferramenta faz.
Aqui mesmo, na redação do Link, a coisa só ficou clara quando todos entraram na onda. Em cinco minutos de uso dá para começar a entender, ainda que superficialmente, o que o Wave faz. Antes disso, só abstraindo.
O Google Wave mistura e-mail, comunicador instantâneo e ambiente colaborativo. A proposta do Google partiu da pergunta: "Como seria o e-mail se ele fosse criado com os recursos tecnológicos de hoje?"
O Wave não encaixa muito bem em rótulos de hoje. Grande parte do que usamos foi criado por programadores que se guiaram pelo fluxo de trabalho, a burocracia e o papel.
A instantaneidade nunca havia sido imaginada em 1965, quando o primeiro e-mail foi trocado. A ideia, então, foi replicar o que já acontecia no papel. Mesmo os sistemas operacionais, com pastas, área de trabalho e caixas de entrada e saída, ainda são fundamentados nos estudos da Xerox, que tentou digitalizar processos usados nos escritórios dos anos 1970.
O Wave foi pensado para contemplar a necessidade de multiplicidade, colaboração e acesso instantâneo. Não que ferramentas como comunicadores instantâneos, Twitter e softwares online não permitam essa interação. A diferença do Wave é que ele mescla essas experiências em um único ambiente, acessível de qualquer lugar e em praticamente qualquer computador com acesso à internet.
Em vez de mandar uma mensagem copiada para várias pessoas, usando o Wave, o usuário consegue que todos tenham acesso a essa mensagem simultaneamente. Sabe quando o Orkut, ou qualquer outra rede social, acaba virando chat, com várias pessoas deixando mensagens encadeadas, como se fosse um bate-papo? O Wave permite exatamente esse tipo de interação, mas de forma mais refinada. As pessoas não só conversam como compartilham arquivos, vídeos, mapas e outros conteúdos. É como se fosse uma sala de bate-papo com plenos poderes ao usuário. E, muito melhor que em um simples chat, no Wave todos podem editar o conteúdo. E se você se perder, dá para rever as alterações feitas.
Esse componente de edição aproxima o Wave do Google Docs. No Docs, criar documentos compartilhados é muito fácil. A única dificuldade é que, além do Docs, o usuário precisa de um comunicador instantâneo ao lado, como o Messenger ou o Gtalk, para trocar idéias em tempo real enquanto modifica o documento.
No Wave, tudo acontece no mesmo ambiente, com colaboração total. Além de escrever e editar, pode-se ver em tempo real o que os outros participantes estão escrevendo. E tudo o que é feito ali dentro pode ser embutido diretamente em um blog, com um clique do mouse, além de poder ser revisto na ordem em que foi editado, desde a primeira mensagem.
Logo mais, não haverá nem a barreira de idiomas: o Google promete, para logo mais, um tradutor universal para a ferramenta.
A iniciativa do Google é ambiciosa. Se conseguir atrair usuários como fez com o Gmail e o Google Docs, o Wave tem potencial para mudar a forma como nos comunicaremos no futuro.
Empresas já usam soluções parecidas
O Google Wave não é o primeiro software de edição colaborativa a aparecer. Nas grandes empresas, esse tipo de ferramenta é usada há muitos anos.
A pioneira na implementação desse tipo de ferramenta foi a Lotus. A empresa criou vários programas que marcaram época, como o Lotus 123, uma espécie de precursor do Excel.
Depois que a Lotus foi comprada pela IBM, houve uma intensificação da oferta de serviços oferecidos na nuvem. O pacote Lotus Live faz muito do que o Wave se propõe a fazer e roda em smartphones.
O produto da IBM, não é a única alternativa para o mercado corporativo. A Cisco, com o seu WebEx, também oferece funcionalidades semelhantes às do Wave. Mesmo competidores mais fortes, como os sistemas de teleconferência Halo, da HP, fazem muito do que o Wave promete.
O que diferencia o Lotus Live dos concorrentes e do próprio Wave, que é grátis, é o componente de rede social, até agora único. Um dos módulos do pacote, o Connections, permite que sejam criadas redes sociais particulares, para interligar funcionários e colaboradores, estimulando o desenvolvimento de projetos em equipe.
A última novidade da Lotus é o Sametime. A ferramenta é uma espécie de sala de reuniões 3D, com um quê de Second Life, mas com segurança e utilidade prática. Será essa a próxima onda?
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