É difícil ler Biz Stone. Apesar de defender o humor no ambiente de trabalho, o co-criador do Twitter se limita a piadinhas ocasionais, daquelas que todo executivo obrigatoriamente faz durante um discurso. É burocraticamente simpático, limitou a conversa com os jornalistas a 40 minutos (com mais ou menos uma pergunta para cada um) e respondeu, prestativo, a todas as questões, mas sem acrescentar nada novo.
Diante de tanto protocolo, é difícil descobrir quem é de verdade o co-criador do Twitter, que aos 34 anos é um dos donos de uma empresa cujo valor é avaliado entre 1 e 4 bilhões de dólares.
Mesmo sendo responsável por tanto dinheiro, Biz parece não se importar muito com ele. “Vamos começar a fazer dinheiro, não necessariamente teremos lucro”, disse, com tranquilidade. E garantiu que a empresa pode se dar ao luxo de continuar não sendo rentável. “Temos algum dinheiro no banco, então temos bastante tempo para desenvolver um sistema de monetização. Por enquanto, queremos desenvolver o Twitter e torná-lo indispensável para o usuário de internet.” O modelo de negócios que o Twitter planeja implementar no fim de 2009 planeja cobrar os usuários que quiserem obter estatísticas de suas contas, além de incluir um provável serviço que verifique a veracidade de contas relacionadas a marcas.
Além da coletiva, Biz falou durante cerca de uma hora a convidados no 2º Encontro Agenda do Futuro, realizado na semana passada, em São Paulo. Em sua apresentação, que pode ser encontrada facilmente no YouTube – sempre a mesma, até as piadas –, Biz conta que o Twitter foi criado por acidente, resultado de um projeto de site para publicação de podcasts, o Odeo (segundo projeto do criador do Blogger e sócio de Biz, Evan Williams, que passou a focar-se em outro negócio quando percebeu que seu principal rival era a Apple). Relata que, quando lhe disseram que a ferramenta era divertida mas não útil, disse: “Sorvete também. Vamos parar de fazer sorvete?”
Ele mencionou constantemente o quanto a empresa valoriza a livre troca de informações e a comunicação. “Nós usamos o Twitter o tempo todo, e isso não faz cair a produtividade. Pelo contrário, acreditamos que é preciso se comunicar até demais sempre que possível”, defende convenientemente. Manteve a postura de “empresa do bem” ao dizer que o Twitter só faz negócios que possam beneficiar a todos os envolvidos, incluindo os usuários e os desenvolvedores de aplicativos que usam a API do microblog, e usou esse argumento quando falou do acordo recém-firmado com gigantes digitais.
Biz sabe que foi responsável pela grande revolução na comunicação neste início de século. Talvez por isso seja pouco modesto sobre sua co-criação. “O Twitter não mudou o mundo da tecnologia, mas sim a maneira como a humanidade se comunica”, ele afirma, enquanto passa slides com fotos de manifestantes vestidos de verde nas ruas do Irã, durante as últimas eleições presidenciais no país.
Nem o fato de mais adultos twittarem mais do que crianças e jovens o preocupa. Para ele, isso é “curioso”. Biz acha que o fato de a maioria dos usuários do Twitter no mundo usarem a ferramenta mais ou menos do mesmo jeito é mais do que uma coincidência e diz algo sobre a maneira como nos relacionamos. E ele demonstra satisfação em dizer que o Twitter aproxima as pessoas, aumenta empatias e diminui distâncias.
Biz não palpitou sobre o futuro do Twitter. Não seria inteligente – afinal, até há pouco tempo ele era só um designer de capas de livros. Pouco depois, quando o próprio Twitter foi criado, nem ele, nem Evan Williams, nem Jack Dorsey faziam ideia da dimensão que a coisa tomaria e dos muitos dos usos que o Twitter teria hoje. Mas Biz Stone fala com convicção que sua co-criação ainda vai chegar muito mais longe. “O Twitter não chegou nem a 1% daquilo que ainda pode se tornar”.
TWITTER NO GOOGLE E NO BING
Na última semana, o Twitter fechou acordos com o Bing e o Google para que os buscadores exibam nos resultados de buscas mensagens postadas no microblog. Nenhuma das três empresas deu mais detalhes de como a exibição dos resultados funcionaria, mas durante a coletiva, Biz Stone deu a entender que o Google e o Bing podem ser capazes de mostrar resultados mais antigos, coisa que a ferramenta de busca do Twitter atualmente não faz. A novidade traz para os usuários dos buscadores a vantagem de mensagens em tempo real darem suporte a buscas sobre determinado termo, o que proporciona um olhar novo sobre os resultados. Ainda não se sabe se os links nos tweets vão contar pontos no PageRank, o ranking do Google que confere importância maior ou menor a links com mais ou menos referências.
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