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No Brasil, Migux tem mais usuários do que o Facebook

Rede infantil foi criada por mãe que não queria deixar os filhos entrarem no Orkut; pesquisa revela os hábitos nos sites

10 de agosto de 2009 | 17h 27

Influenciados pelos amigos, os filhos da jornalista e publicitária Anna Valenzuela queriam entrar no Orkut. A mãe não deixou.

 

"Justamente a geração que já nasceu ‘com chip’ tinha poucas alternativas digitais inteligentes e lúdicas", diz Anna. Foi a partir desse vácuo ela teve a ideia de criar o Migux, uma rede social só para os pequenos.

 

O site foi lançado em julho de 2008 e, apesar de recente, já tem números de gente grande. Na noite de quinta-feira (7), o Migux tinha exatos 1.732.867 usuários cadastrados (400 mil a mais do que o Facebook tem no Brasil) e pelo menos 400 mil ativos. Todos os dias, entre 5 mil e 10 mil crianças entram na rede - 90% delas têm entre 5 e 12 anos.

 

O site é um misto de rede social e game, parecido com o outro site infantil Club Penguin, lançado em 2005 e comprado pela Disney em 2007. Mas, para Anna, o primo gringo é mais game do que rede social. Além disso, segundo ela, a versão brasileira tem a premissa de abarcar o conteúdo gerado pelos próprios usuários - uma espécie de rede 2.0 infantil.

 

Com uma interface simples e lúdica, o Migux permite que as crianças criem avatares, uma página pessoal - as "casinhas" - e interajam com os amigos. O serviço é gratuito, mas há a opção de assinatura (cerca de R$ 10) que dá direito às "gotas", moeda virtual do Migux, que permitem comprar objetos, também virtuais, e outros serviços - como ficar invisível e poder experimentar as novidades antes dos outros .

 

Todos os dias, segundo Anna, 30 mil usuários se logam e cerca de 2 mil interagem simultaneamente. Assim que o avatar entra no ambiente, outros usuários começam uma amizade - no dia em que o Link visitou a rede, havia crianças avisando que dariam "festas" e outras querendo "namorados". "É incrível notar como as crianças se informam sobre as notícias dentro de um ambiente vivo como esse", diz Anna.

 

Ela lembra que, no dia da morte de Michael Jackson, a notícia repercutiu no ambiente virtual do Migux da mesma maneira como foi assunto em outras redes sociais.

 

Além da rede em si, o Migux formou espontaneamente uma comunidade virtual - há pelo menos 16 blogs sobre o jogo. "Quando vi o primeiro blog fiquei de queixo caído: já tinha alguém que cobria as novidades da redecom mais dedicação do que no blog oficial", ri Anna.

 

Segundo a criadora da rede social, o Migux já recebeu 290 mil e-mails com sugestões de crianças - um indício de que a geração Migux já sabe que, hoje, a web é feita coletivamente.

 

Para proteger as crianças

Por se tratar de uma rede social para crianças, as regras de conduta são duras. Não espere privacidade: no Migux, os IPs são registrados e as conversas monitoradas. Há um filtro de palavrões e um mecanismo de denúncia em que os próprios usuários delatam quem tem mau comportamento. Dependendo da gravidade, o membro é punido com suspensão temporária ou permanente. "Para os pais, encontrar produtos como o Migux é um alívio e tanto", diz Anna Valenzuela, lembrando que o primeiro usuário que pagou pelos serviços do site não foi uma criança - mas, sim, um pai. Ao testar a rede, o máximo de comportamento inadequado que o Link presenciou no ambiente virtual foi um avatar que disse "guei" (sic). Só tem acesso à página do usuário (a "casinha") e ao mural de recados quem foi aceito na lista de amigos. Além disso, o Migux orienta as crianças a conversarem com seus amigos "reais", não só com desconhecidos. Há uma área no site para orientar os pais sobre segurança na rede.

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