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Qualquer um pode ter uma rádio sem limite de alcance

Sem regulamentação, rede é território quase livre e dá voz a emissoras que não precisam de licença para existir

20 de setembro de 2009 | 19h 42

A difusão começou em 2005, quando os criadores do sistema de som Barulho.org resolveram levar as festas que faziam nas ruas de São Paulo para o mundo. Foi criada a Dada Radio, que no começo era só um streaming do som tocado na rua. Mas a brincadeira cresceu. "Sentimos a necessidade de criar um site permanente, com programas e podcasts", conta Amadeu "Zoe" Cardoso, professor e pesquisador na área de redes. Com o tempo, a Dada Radio encontrou o filão da música livre e experimental e montou um selo com coletâneas e lançamentos de novos artistas, o Dada Label.

 

As radiofrequências são um recurso limitado, administrado pela Anatel e cedido a quem obtiver licença para operar. Mas, no território sem ondas da internet, não há limitações para a transmissão. Não é preciso licença para operar – qualquer um pode ter seu próprio canal.

 

A rádio carioca MaréManguinhos encontrou na web a maneira de se fazer ouvir. Em 1998, agentes da Polícia Federal apreenderam os equipamentos da então Manguinhos FM, que transmitia para os entornos da Fundação Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro. A rádio comunitária ficou calada por sete anos. Em 2005, rebatizada de MaréManguinhos, ela voltou – mas, dessa vez, só na web. A própria comunidade da Maré, que deveria ter acesso à programação da rádio, não consegue ouví-la. "Poucos têm acesso à internet", lamenta Jorge Henrigue Vieira, coordenador da rádio. Mas abrigada no território sem ondas da rede, a MaréManguinhos vai longe. A rádio já retransmitiu conteúdo para rádios comunitárias de todo o Brasil e hoje sua programação educativa é retransmitida para uma FM de Santa Catarina.

 

Em São Paulo, a criação de uma rádio web foi a maneira encontrada para levar ao mundo a coleção de 78 mil discos (entre discos de acetato, vinis e CDs) da Discoteca Oneyda Alvarenga, criada por Mário de Andrade e hospedada no Centro Cultural São Paulo. A rádio é baseada em programas temáticos com o acervo e, também, na própria agenda do CCSP, com entrevistas e programas especiais com os artistas que fazem show na casa. "Na web, é preciso cuidar da parte visual. É o primeiro atrativo. É como o John, do Pato Fu, dizia: o site é a nova capa do disco", explica Márcio Yonamine, responsável pela rádio.

 

Não há um levantamento preciso de quantas rádios web existam no País . Segundo o portal TudoRadio.com, o número de webrádios profissionais é "baixíssimo" – por isso, o site só cadastra rádios convencionais que também transmitem na rede. "Muitas rádios nascem da brincadeira de um garoto", diz Fernando Telles, diretor da Rádio Rox, que tem um perfil comercial e patrocinadores.

 

Essa profissionalização não é fácil. No Brasil, não há nenhuma organização das rádios como ocorre nos EUA. Pelo contrário: há competição. "O pessoal não gosta de compartilhar tecnologia", diz Telles. O radialista Ricardo Filho sentiu a dificuldade na hora de montar a RDWebStation, rádio de música pop do Vale do Paraíba. "Não importa de onde você esteja, outra rádio é concorrente", diz ele, cujo bisavô fundou a Rádio Difusora de Taubaté em 1941.

 

Há ainda outra questão: por conta das limitações na nossa banda larga, a transmissão em streaming no Brasil é cara. "A maioria das webrádios fica fora do País", diz Ricardo Filho. "Hoje eu pago R$ 1,50 por ouvinte, e pagaria o triplo se fosse no Brasil", diz ele, que hospedou a rádio no Oriente Médio.

 

ONDE OUVIR

 

Radio-locator.com - Tem 10 mil rádios. Dá para procurar a por gênero ou por localidade

Internet-radio.org.uk -O agregador britânico tem centenas de estações de rádios divididas por gênero

Radios.com.br - Esqueça o visual: é o maior portal de rádios online do País

TudoRadio.com.br - Site brasileiro tem links para

rádios convencionais que transmitem na rede

Tópicos: rádio

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