Anatel suspende por 60 dias cobrança do ponto extra de TV paga
Diante da polêmica criada com a
redação do novo regulamento de TV por assinatura, o conselho da
Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) decidiu
suspender, por 60 dias, alguns artigos que tratam do tema e,
assim, evitar a possibilidade de cobrança do ponto extra de TV
paga na casa do assinante.
A agência estabeleceu novas regras ao setor que entraram em
vigor na última segunda-feira. A questão da cobrança ou não do
ponto extra dava margem a interpretações dúbias porque, de um
lado a agência proibia que se cobrasse pela programação
distribuída nesses pontos e, de outro, permitia que se cobrança
a sua instalação e manutenção.
Diante do impasse, as operadoras de TV por assinatura
entendiam que podiam continuar a cobrança, já que afirmam que o
valor -- de em média 20 reais mensais por ponto adicional --
corresponde à sua manutenção, e não ao conteúdo distribuído.
De acordo com comunicado divulgado pela Anatel nesta
sexta-feira, o conselho da agência decidiu, por meio de
circuito deliberativo, suspender por 60 dias a eficácia dos
artigos 30, 31 e 32 da Resolução 488, que estabelece o
Regulamento de Proteção e Defesa dos Direitos dos Assinantes
dos Serviços de Televisão por Assinatura.
Segundo a Anatel, a decisão será formalizada por meio de
Resolução, com publicação prevista para a próxima
segunda-feira.
O órgão regulador explicou, no comunicado, que, "a despeito
dos esforços da agência, não foi possível estabelecer uma
interpretação consensual quanto aos serviços que poderiam ser
cobrados por parte das prestadoras referentes ao ponto-extra
(artigo 30)".
A Anatel promoveu reunião nesta quinta-feira sobre o
assunto, da qual participaram Ministério Público, Departamento
de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC) do Ministério da
Justiça, Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) e
Associação Brasileira de TV por Assinatura (ABTA), "mas não foi
possível chegar a uma interpretação consensual", diz a nota.
Durante o período em que a suspensão estiver em vigor, a
Anatel pretende colocar em consulta pública propostas de
redação dos dispositivos para esclarecer o assunto e determinar
se a cobrança é válida ou não.
(Reportagem de Taís Fuoco)
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