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Após 50 horas, causa de pane da Telefônica não foi encontrada

04 de julho de 2008 | 20h 12
TAÍS FUOCO - REUTERS

Mais de 50 horas depois de detectados

os primeiros problemas, a causa da pane na rede de dados da

Telefônica no Estado de São Paulo ainda é desconhecida, disse

nesta sexta-feira o presidente da empresa no Brasil, Antonio

Carlos Valente.

A companhia conseguiu na noite de quinta-feira detectar e

isolar o equipamento --um único roteador-- que detonou a

interrupção dos serviços, mas ainda não sabe se houve falha

humana ou no próprio equipamento. A empresa também ignora o

motivo de a redundância (backup) não ter sido suficiente para

impedir a interrupção dos serviços.

Valente afirmou que a companhia decidiu contratar um centro

independente, o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em

Telecomunicações (CPqD), de Campinas (SP), para analisar o

problema e elaborar um laudo técnico em até 10 dias corridos.

Segundo ele, os primeiros problemas na rede de dados IP da

companhia foram detectados por volta das 11hs de quarta-feira.

A companhia passou a isolar regiões para detectar de onde vinha

a falha e, perto das 23hs de quinta-feira percebeu que ela

vinha da região de Sorocaba, no interior paulista.

O roteador em questão foi isolado e lacrado e está a cargo

do CPqD. O executivo da Telefônica preferiu não divulgar o nome

do fornecedor do equipamento nem o dos outros parceiros que

atuam na rede da empresa para impedir que eles tenham os nomes

associados ao problema antes que as causas sejam conhecidas.

"A responsabilidade, neste momento, é da Telefônica",

afirmou o executivo.

Além de órgãos de governo nas três esferas --federal,

estadual e municipal--, são clientes da rede de dados IP da

Telefônica cerca de 7 mil grandes empresas que usam 35 mil

circuitos. Metade desses circuitos foi afetada.

Segundo Valente, neste momento a rede "está absolutamente

estável", sem nenhum problema sistêmico, só falhas pontuais.

Os clientes do serviço de banda larga Speedy também foram

afetados, mas a companhia diz ser impossível detectar o número

de prejudicados.

Valente declarou que a operadora negocia com o Procon

formas de ressarcir toda a base de assinantes, que é de 2,2

milhões de pessoas. "A Telefônica não pode e não vai fazer a

cobrança de um serviço que não prestou", reiterou.

No caso dos grandes clientes empresariais, cujos contratos

prevêem multa à Telefônica pelo descumprimento do serviço, o

executivo afirmou que "não houve tempo suficiente para fazer

uma avaliação dos prejuízos", mas a companhia vai discutir

contrato por contrato para compensar os prejudicados.

"Em alguns casos poderemos trocar as multas por serviços

prestados, isso não necessariamente vai envolver valores."

Em relação às pessoas que mesmo não sendo clientes da

Telefônica se sentiram lesadas por não terem conseguido

atendimento na expedição de documentos ou nos postos do INSS,

por exemplo, Valente disse que a empresa estuda uma alternativa

junto ao Poder Público para ressarci-las.

Por volta das 17h desta sexta-feira, das 1,6 mil delegacias

em todo o Estado, quatro ainda tinham algum problema, de acordo

com o presidente da Telefônica, assim como 6 dos 560 tribunais

de Justiça. De forma geral, disse ele, a rede voltou ao normal.

O executivo afirmou que a tese de a rede ter sido vítima de

hackers "não é provável" pela complexidade e pelo local em que

o problema foi detectado e que "neste momento, nenhum elemento

leva a empresa a achar" que tenha se tratado de algum tipo de

sabotagem por parte de funcionários.

Valente acredita que nunca a rede da Telefônica no Brasil

nem em outro país sofreu uma pane dessa proporção.

Ele lembrou que a adoção da banda larga cresce "de forma

absolutamente acelerada" no Brasil e que, além de a companhia

ter de aumentar o número de pontos de conexão, ela recebe

demanda para aumentar a largura de banda, diante do uso de

sites como YouTube.

"Erros podem acontecer involuntariamente", afirmou.



Tópicos: TELECOM, TELEFONICA, PANE