Após 50 horas, causa de pane da Telefônica não foi encontrada
Mais de 50 horas depois de detectados
os primeiros problemas, a causa da pane na rede de dados da
Telefônica no Estado de São Paulo ainda é desconhecida, disse
nesta sexta-feira o presidente da empresa no Brasil, Antonio
Carlos Valente.
A companhia conseguiu na noite de quinta-feira detectar e
isolar o equipamento --um único roteador-- que detonou a
interrupção dos serviços, mas ainda não sabe se houve falha
humana ou no próprio equipamento. A empresa também ignora o
motivo de a redundância (backup) não ter sido suficiente para
impedir a interrupção dos serviços.
Valente afirmou que a companhia decidiu contratar um centro
independente, o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em
Telecomunicações (CPqD), de Campinas (SP), para analisar o
problema e elaborar um laudo técnico em até 10 dias corridos.
Segundo ele, os primeiros problemas na rede de dados IP da
companhia foram detectados por volta das 11hs de quarta-feira.
A companhia passou a isolar regiões para detectar de onde vinha
a falha e, perto das 23hs de quinta-feira percebeu que ela
vinha da região de Sorocaba, no interior paulista.
O roteador em questão foi isolado e lacrado e está a cargo
do CPqD. O executivo da Telefônica preferiu não divulgar o nome
do fornecedor do equipamento nem o dos outros parceiros que
atuam na rede da empresa para impedir que eles tenham os nomes
associados ao problema antes que as causas sejam conhecidas.
"A responsabilidade, neste momento, é da Telefônica",
afirmou o executivo.
Além de órgãos de governo nas três esferas --federal,
estadual e municipal--, são clientes da rede de dados IP da
Telefônica cerca de 7 mil grandes empresas que usam 35 mil
circuitos. Metade desses circuitos foi afetada.
Segundo Valente, neste momento a rede "está absolutamente
estável", sem nenhum problema sistêmico, só falhas pontuais.
Os clientes do serviço de banda larga Speedy também foram
afetados, mas a companhia diz ser impossível detectar o número
de prejudicados.
Valente declarou que a operadora negocia com o Procon
formas de ressarcir toda a base de assinantes, que é de 2,2
milhões de pessoas. "A Telefônica não pode e não vai fazer a
cobrança de um serviço que não prestou", reiterou.
No caso dos grandes clientes empresariais, cujos contratos
prevêem multa à Telefônica pelo descumprimento do serviço, o
executivo afirmou que "não houve tempo suficiente para fazer
uma avaliação dos prejuízos", mas a companhia vai discutir
contrato por contrato para compensar os prejudicados.
"Em alguns casos poderemos trocar as multas por serviços
prestados, isso não necessariamente vai envolver valores."
Em relação às pessoas que mesmo não sendo clientes da
Telefônica se sentiram lesadas por não terem conseguido
atendimento na expedição de documentos ou nos postos do INSS,
por exemplo, Valente disse que a empresa estuda uma alternativa
junto ao Poder Público para ressarci-las.
Por volta das 17h desta sexta-feira, das 1,6 mil delegacias
em todo o Estado, quatro ainda tinham algum problema, de acordo
com o presidente da Telefônica, assim como 6 dos 560 tribunais
de Justiça. De forma geral, disse ele, a rede voltou ao normal.
O executivo afirmou que a tese de a rede ter sido vítima de
hackers "não é provável" pela complexidade e pelo local em que
o problema foi detectado e que "neste momento, nenhum elemento
leva a empresa a achar" que tenha se tratado de algum tipo de
sabotagem por parte de funcionários.
Valente acredita que nunca a rede da Telefônica no Brasil
nem em outro país sofreu uma pane dessa proporção.
Ele lembrou que a adoção da banda larga cresce "de forma
absolutamente acelerada" no Brasil e que, além de a companhia
ter de aumentar o número de pontos de conexão, ela recebe
demanda para aumentar a largura de banda, diante do uso de
sites como YouTube.
"Erros podem acontecer involuntariamente", afirmou.
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