Internet não mudou jornalismo da maneira esperada, diz estudo
Pesquisa diz que era esperada a democratização da informação, mas a agenda de notícias continua limitada
A internet mudou profundamente o jornalismo, mas não da maneira que se esperava no surgimento do jornalismo online, concluiu um estudo do Project for Excellence in Journalism, nos Estados Unidos, divulgado neste domingo, 16. Segundo o estudo, acreditava-se que a internet iria democratizar a informação, oferecendo novas vozes, histórias e perspectivas, mas a agenda de notícias continua limitada - os sites oferecem primordialmente as mesmas informações. Duas histórias - a guerra do Iraque e a eleição presidencial americana de 2008 - representam mais de um quarto de tudo que foi veiculado nos jornais, televisão e internet em 2007, estima o estudo. Desconsiderando Iraque, Irã e Paquistão, notícias relativas à todos outros países somadas representam 6% do conteúdo da mídia americana, aponta o projeto. A crescente habilidade do leitor em encontrar o que busca sem ser distraído por propagandas está obrigando a mídia a agir com cautela em algumas ocasiões. "Apesar da audiência das notícias tradicionais se manter sozinha, as redações tendem a encolher", afirmou Tom Rosenstiel, diretor do projeto. "A decisão recente da NBC de nomear David Gregory como âncora de um noticiário noturno, além de mantê-lo como correspondente na Casa Branca é um exemplo dessa redução", explica. Pioneirismo Na semana passada, o site do jornal The New York Times publicou pela manhã a primeira notícia ligando o governador de Nova York, Eliot Spitzer, ao esquema de prostituição que mais tarde levaria a sua renúncia. Rapidamente, o assunto se tornou a história dominante do dia. De acordo com Rosenstiel, há alguns anos acreditava-se que os sites de notícias seriam considerados apenas reproduções dos jornais diários. "Na verdade, o jornal impresso pela manhã renasce no jornalismo online", acrescenta. Blogs Uma outra pesquisa concluiu que a maior parte jornalistas estão aderindo às mudanças na área. Muitos profissionais da imprensa afirmaram ter blogs e apreciar os comentários dos leitores em seus sites. Quando perguntados sobre as experiências multimídias, a maioria dos jornalistas considera a experiência enriquecedora.
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