O laptop de US$ 100 chega perto da fabricação
Portátil de baixo custo está cada vez mais próximo das escolas de países em desenvolvimento
O XO, um computador de baixo custo destinado a estudantes de países em desenvolvimento, e elaborado pela ONG "Um Computador Por Criança" (OLPC, na sigla em inglês), está próximo de chegar às salas de aula, após mais de dois anos de projeto.
O sonho do fundador do projeto e membro do Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT), Nicholas Negroponte, deverá se tornar realidade no segundo semestre de 2007, quando a OLPC começar a produzir e distribuir o computador, que custará US$ 100, na Ásia, África, América do Sul e Oriente Médio.
"Estamos negociando com vários países de América do Sul, África, sudeste asiático e Oriente Médio, mas ainda não podemos divulgar quais", disse à agência Efe um porta-voz da ONG. O XO não será vendido diretamente para particulares, mas sim para os Governos, que deverão distribuí-los nas escolas.
O projeto recebeu um grande impulso esta semana, graças ao apoio da Intel, maior fabricante mundial de microprocessadores. A Intel desenvolveu seu próprio computador de baixo custo, e seus diretores haviam se mostrado, a princípio, muito críticos às idéias de Negroponte. A empresa, no entanto, decidiu colaborar com a OLPC e, inclusive, passará a fazer parte de seu conselho.
Impulso
O fabricante de microprocessadores dará financiamento e ajuda técnica e, segundo Negroponte, "sua colaboração permitirá que um maior número de equipamentos chegue às crianças". O fabricante de chips continuará distribuindo seu computador Classmate, que custa cerca de US$ 200 e interessou aos Governos de Brasil, Paquistão, México e Nigéria, mas a Intel e a OLPC passarão a trabalhar juntas. Como exemplo dessa nova fase de cooperação, o Classmate passará a ser oferecido aos Governos como uma opção para as zonas urbanas, pois precisa de eletricidade para funcionar, ao tempo que o XO, que pode ser recarregado manualmente com uma manivela, seria a opção para zonas rurais.
No entanto, o XO continuará usando, por enquanto, chips da AMD, rival da Intel e uma das principais sócias da OLPC, ao lado de Google e outras empresas. O computador portátil de US$ 100 é resultado de um projeto que teve início há quase três anos, e encontrou diversos obstáculos em seu caminho.
Muitos cientistas pensaram que o computador era inviável, e alguns críticos rejeitaram a idéia, alegando que não constituiria uma necessidade real para milhões de crianças que, em muitos casos, carecem de livros e água potável. Além disso, a fundação precisava receber mais de três milhões de encomendas para começar a fabricar o computador a um custo realmente baixo. O custo atual do computador é de US$ 175, mas Negroponte espera reduzir esse valor no futuro, e possibilitar a venda do equipamento por US$ 100.
Cumprir com os requerimentos técnicos também não foi simples, uma vez que era necessário que o computador fosse praticamente indestrutível e possuísse uma bateria capaz de ser recarregada até em lugares sem acesso à eletricidade. O protótipo final pesa 1.250 gramas, utiliza o sistema operacional Linux e dispõe de uma memória RAM de 128 MB, e mais de 500 MB em chips memória flash. Além disso, cada computador funciona em uma rede sem fio que conectará os estudantes, e permitirá o acesso a conteúdos armazenados em um servidor central.
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