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ONGs criticam Google Latitude, ferramenta 'espiã' do Google

O software, que pode monitorar localização de usuários em tempo real, infringiria direito à privacidade

05 de fevereiro de 2009 | 16h 24

A nova ferramenta de localização por celular Latitude, lançada na quarta-feira pelo Google, está sendo criticada por organizações não-governamentais de proteção ao consumidor e ao direito a privacidade.   Veja também: Google lança software de localização de usuários de celular Internautas poderão explorar Marte no Google Earth Google lança ferramenta para explorar os oceanos   O recém-lançado sistema possibilita que usuários de celulares e outros dispositivos móveis possam compartilhar sua localização com quem quiser, como família e amigos.   Segundo o Google, o Latitude possui controles que permitem que os usuários selecionem quem poderá ter acesso à localização do celular e que é possível desligar o serviço a qualquer momento.   Apesar disso, a ONG britânica Privacy International, que trabalha com o direito de proteção a privacidade, afirma que há falhas no sistema que poderiam ameaçar a privacidade do usuário.   Privacidade   De acordo com a ONG, a ameaça acontece quando um telefone celular é habilitado com a ferramenta sem o conhecimento do usuário. Dessa forma, a localização do aparelho poderia ser acessada pela pessoa que o habilitou sem o conhecimento do usuário.   A organização sugere que a única forma de reduzir esse risco seria o envio de mensagens de texto ao usuário confirmando que o Latitude estaria habilitado.   O Google explica que essa ferramenta está disponível em "alguns modelos de celulares".   "Depois da instalação e início do funcionamento do Latitude em alguns modelos de celulares, o usuário poderá receber mensagens lembrando que o Latitude foi habilitado a compartilhar a localização com os amigos selecionados", afirma o Google na seção de perguntas e respostas sobre a nova ferramenta.   O Google explica ainda que "os avisos permitem que o usuário continue ou pare de compartilhar a localização com o Latitude e aparecerão no celular algumas vezes se o sistema tiver sido habilitado, mas não tenha sido usado recentemente".   Segundo a ONG, isso significa que "apenas alguns usuários com tipos específicos de aparelhos celulares receberão a notificação de que seus telefones estão habilitados.   "Como está agora, o Latitude pode ser um presente para perseguidores, empregadores que espreitam funcionários, parceiros ciumentos e amigos obsessivos. As ameaças à privacidade dos usuários e à segurança não têm limites, assim como a imaginação daqueles que podem abusar dessa tecnologia", afirma Simon Davies, diretor da Privacy International.   O diretor-executivo da ONG Consumer Wellness, que trabalha com os direitos do consumidor, Mike Adams, também questionou a proteção à privacidade dos usuários.   "Começou a era de perseguição eletrônica?", questionou o diretor.   De acordo com a política de privacidade do Google, "apenas dados e informações autorizadas pelos usuários são compartilhadas com terceiros".