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Programa da Microsoft permite vigilância total de funcionários

Software monitora ritmo cardíaco, temperatura, movimentos e pressão sanguínea do trabalhador

16 de janeiro de 2008 | 11h 01
Efe

O universo de controle e espionagem, descrito por George Orwell no livro 1984, parece cada vez mais próximo de se tornar realidade, ainda mais agora, que a Microsoft solicitou uma patente para um programa que possibilita vigiar constantemente o funcionário sentado em frente ao computador, segundo o jornal The Times.   A publicação indica que a empresa americana pretende desenvolver um sistema que usa sensores sem fios para acompanhar o ritmo cardíaco, a temperatura do corpo, os movimentos, a expressão facial e a pressão sanguínea do trabalhador.   Até então, este tipo de tecnologia, que permite a observação constante dos trabalhadores, era limitada aos pilotos ou aos astronautas da Nasa, afirma o jornal.   O Times diz que esta parece ser a primeira vez que a companhia se propõe a desenvolver um software para todo tipo de escritório.   Segundo a patente apresentada nos Estados Unidos, os sensores do equipamento que a Microsoft desenvolve seriam capazes de ler "o ritmo cardíaco, a resposta elétrica da pele, os sinais cerebrais, o registro das correntes elétricas geradas num músculo, as expressões faciais e a pressão sanguínea".   Além disso, o sistema poderia "detectar automaticamente a frustração ou o estresse do usuário" e oferecer ajuda quando for necessário, afirma o Times.   As transformações físicas do funcionário seriam comparadas com um perfil psicológico individual baseado no peso, na idade e na saúde do trabalhador.   Se o sistema detectar uma aceleração do ritmo cardíaco ou das expressões faciais que indique estresse ou frustração, informará aos responsáveis que o trabalhador precisa de ajuda.   O Comissário de Informação do Reino Unido, grupos de liberdade civil e advogados dedicados à defesa da privacidade criticaram duramente o potencial do novo sistema.   "O sistema significa uma intrusão em todos os aspectos da vida dos empregados. É muito discutível do ponto de vista de sua privacidade", afirma Hugh Tomlinson, advogado especializado na lei de proteção de dados.   Peter Skyte, do sindicato United, diz que o projeto da Microsoft "leva a novos níveis de invasão da privacidade, à idéia de observar as pessoas no trabalho".   Para o Escritório do Comissário de Informação do Reino Unido, "impor tal nível de intrusão na privacidade dos empregados só seria justificável em circunstâncias excepcionais", de acordo com o Times.   O Escritório de Patentes dos Estados Unidos confirmou na terça-feira que a solicitação foi publicada no mês passado, um ano e meio após a Microsoft apresentar o projeto. Acredita-se que a patente pode ser concedida em um ano.



Tópicos: Microsoft, 1984, Vigilância