Vivo quer manter margem em 2008, apesar das pressões
Em um ano em que vai elevar os
investimentos em cerca de três vezes sobre 2007, além de ver a
competição ampliada com a entrada da Oi em São Paulo e de lidar
com a perspectiva de que o cliente possa mudar de operadora e
manter o número da linha --graças à portabilidade--, a Vivo não
pretende ter uma redução nas margens operacionais.
Segundo Roberto Lima, presidente da Vivo, que participou
nesta segunda-feira do Reuters Latin America Investment Summit,
"o mercado tem apresentado atividade comercial mais forte do
que a gente esperava", mas, para ele, "essa é uma questão que
terá de ser administrada".
Segundo Lima, o mercado se mostrou "bastante aquecido"
neste primeiro trimestre de 2008, estimulado não só por
subsídios de aparelhos, como por planos de tarifas. "É uma
corrida pelos bons clientes", afirmou.
O executivo afirmou que a redução no endividamento,
promovida desde 2006, assim como o controle constante de custos
vão permitir que a companhia mantenha os patamares de
rentabilidade obtidos em 2007. O alongamento do perfil da
dívida, com a busca por fontes de financiamento entre bancos de
fomento, também faz parte da estratégia.
A margem Ebitda (lucro antes de juros, impostos,
depreciação e amortização, na sigla em inglês) da Vivo no ano
passado subiu 1,4 ponto percentual sobre o ano anterior, para
25,1 por cento das receitas.
O conselho de administração da companhia aprovou, na semana
passada, planos de investimento de 6,06 bilhões de reais para
2008, dos quais 3,36 bilhões de reais na Vivo e 2,7 bilhões em
outras empresas do grupo, como a Telemig Celular, em fase de
incorporação. No ano passado, a Vivo investiu 1,9 bilhão de
reais.
Segundo Lima, a empresa "já tem os recursos disponíveis"
para o programa de investimentos aprovado, com linhas junto ao
Banco do Nordeste (BNB), Banco Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social (BNDES) e Banco Europeu de Investimento
(BEI), além dos recursos em caixa, que no final de dezembro
eram 2,25 bilhões de reais.
QUEDA NAS TARIFAS
O executivo da Vivo também estimou que, uma vez que o
mercado já tem acesso a aparelhos mais baratos com a tecnologia
GSM e a fabricação local, virá uma pressão por redução nas
tarifas. "Agora o que o mercado quer é preço mais baixo de
tarifas de pré-pago", afirmou Lima, ao comentar as formas de
atrair o público das classes C e D para a telefonia celular.
Segundo ele, a queda nas tarifas é "uma tendência natural
desse mercado". A Vivo, no entanto, garantiu que não pretende
reduzir a qualidade da comunicação, mesmo se a estratégia
resultar em um crescimento acelerado no tráfego.
A companhia previu, no plano de investimentos aprovado para
o ano, ampliar a capacidade da rede não só para suportar o
crescimento orgânico de voz e dados, mas para atender as novas
regiões que adquiriu no Nordeste do país no ano passado.
A empresa ainda vai gastar cerca de 1,1 bilhão de reais
para pagar as licenças de terceira geração compradas no leilão
de dezembro passado. Os fornecedores de equipamentos para essa
nova rede serão os mesmo da rede GSM da companhia (Ericsson e
Huawei), mas a Vivo considerou estratégico não divulgar que
participação cada uma terá na implantação.
MARCO REGULATÓRIO
De acordo com seu presidente, a Vivo vê como uma iniciativa
"absolutamente legítima" a proposta de fusão entre Oi e Brasil
Telecom, mas se preocupa com a forma como o marco regulatório
vai ser alterado para permitir esse movimento.
"Não vemos a evolução do quadro regulatório de forma
negativa, mas essa não pode ser uma ação casuística", disse
Lima. Na sua opinião, se uma alteração for feita para permitir
a fusão, "temos de rever tudo", afirmou.
Ele ponderou que, ainda que não passem a controlar uma
parte significativa do mercado de telefonia móvel, juntas a Oi
e a Brasil Telecom terão 60 por cento do mercado de telefonia
fixa do país.
"Apesar do mercado de telefonia fixa estar estagnado, ele
gera recursos financeiros com uma pujança fantástica", já que o
atual nível de investimento é baixo e a geração de tráfego "é
enorme", comparou.
(Reportagem adicional de Renata de Freitas, Alberto Alerigi
Jr., Elzio Barreto e Elisabete Tavares, em Lisboa. Edição de
Renata de Freitas)
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