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Vivo quer manter margem em 2008, apesar das pressões

31 de março de 2008 | 14h 10
TAÍS FUOCO - REUTERS

Em um ano em que vai elevar os

investimentos em cerca de três vezes sobre 2007, além de ver a

competição ampliada com a entrada da Oi em São Paulo e de lidar

com a perspectiva de que o cliente possa mudar de operadora e

manter o número da linha --graças à portabilidade--, a Vivo não

pretende ter uma redução nas margens operacionais.

Segundo Roberto Lima, presidente da Vivo, que participou

nesta segunda-feira do Reuters Latin America Investment Summit,

"o mercado tem apresentado atividade comercial mais forte do

que a gente esperava", mas, para ele, "essa é uma questão que

terá de ser administrada".

Segundo Lima, o mercado se mostrou "bastante aquecido"

neste primeiro trimestre de 2008, estimulado não só por

subsídios de aparelhos, como por planos de tarifas. "É uma

corrida pelos bons clientes", afirmou.

O executivo afirmou que a redução no endividamento,

promovida desde 2006, assim como o controle constante de custos

vão permitir que a companhia mantenha os patamares de

rentabilidade obtidos em 2007. O alongamento do perfil da

dívida, com a busca por fontes de financiamento entre bancos de

fomento, também faz parte da estratégia.

A margem Ebitda (lucro antes de juros, impostos,

depreciação e amortização, na sigla em inglês) da Vivo no ano

passado subiu 1,4 ponto percentual sobre o ano anterior, para

25,1 por cento das receitas.

O conselho de administração da companhia aprovou, na semana

passada, planos de investimento de 6,06 bilhões de reais para

2008, dos quais 3,36 bilhões de reais na Vivo e 2,7 bilhões em

outras empresas do grupo, como a Telemig Celular, em fase de

incorporação. No ano passado, a Vivo investiu 1,9 bilhão de

reais.

Segundo Lima, a empresa "já tem os recursos disponíveis"

para o programa de investimentos aprovado, com linhas junto ao

Banco do Nordeste (BNB), Banco Nacional de Desenvolvimento

Econômico e Social (BNDES) e Banco Europeu de Investimento

(BEI), além dos recursos em caixa, que no final de dezembro

eram 2,25 bilhões de reais.

QUEDA NAS TARIFAS

O executivo da Vivo também estimou que, uma vez que o

mercado já tem acesso a aparelhos mais baratos com a tecnologia

GSM e a fabricação local, virá uma pressão por redução nas

tarifas. "Agora o que o mercado quer é preço mais baixo de

tarifas de pré-pago", afirmou Lima, ao comentar as formas de

atrair o público das classes C e D para a telefonia celular.

Segundo ele, a queda nas tarifas é "uma tendência natural

desse mercado". A Vivo, no entanto, garantiu que não pretende

reduzir a qualidade da comunicação, mesmo se a estratégia

resultar em um crescimento acelerado no tráfego.

A companhia previu, no plano de investimentos aprovado para

o ano, ampliar a capacidade da rede não só para suportar o

crescimento orgânico de voz e dados, mas para atender as novas

regiões que adquiriu no Nordeste do país no ano passado.

A empresa ainda vai gastar cerca de 1,1 bilhão de reais

para pagar as licenças de terceira geração compradas no leilão

de dezembro passado. Os fornecedores de equipamentos para essa

nova rede serão os mesmo da rede GSM da companhia (Ericsson e

Huawei), mas a Vivo considerou estratégico não divulgar que

participação cada uma terá na implantação.

MARCO REGULATÓRIO

De acordo com seu presidente, a Vivo vê como uma iniciativa

"absolutamente legítima" a proposta de fusão entre Oi e Brasil

Telecom, mas se preocupa com a forma como o marco regulatório

vai ser alterado para permitir esse movimento.

"Não vemos a evolução do quadro regulatório de forma

negativa, mas essa não pode ser uma ação casuística", disse

Lima. Na sua opinião, se uma alteração for feita para permitir

a fusão, "temos de rever tudo", afirmou.

Ele ponderou que, ainda que não passem a controlar uma

parte significativa do mercado de telefonia móvel, juntas a Oi

e a Brasil Telecom terão 60 por cento do mercado de telefonia

fixa do país.

"Apesar do mercado de telefonia fixa estar estagnado, ele

gera recursos financeiros com uma pujança fantástica", já que o

atual nível de investimento é baixo e a geração de tráfego "é

enorme", comparou.

(Reportagem adicional de Renata de Freitas, Alberto Alerigi

Jr., Elzio Barreto e Elisabete Tavares, em Lisboa. Edição de

Renata de Freitas)



Tópicos: TELECOM, VIVO, SUMMIT