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Alunos fazem 'saiaço' na frente do Bandeirantes

Cerca de 80 alunos do ensino médio protestaram em apoio a colega que foi proibido de trajar saia

10 de junho de 2013 | 9h 23
Bárbara Ferreira Santos - O Estado de S. Paulo


 

SÃO PAULO - Cerca de 80 alunos do ensino médio do tradicional Colégio Bandeirantes, na zona sul de São Paulo, foram nesta segunda-feira, 10, para a escola vestidos de saias, especialmente os garotos.  O protesto, fomentado nas redes sociais, ocorreu em apoio ao estudante do 3.º ano do ensino médio Pedro Brener que, na sexta-feira, 7, foi impedido de permanecer na escola por trajar uma saia longa. Hoje, entretanto, a escola não impediu os alunos vestidos com saias de entrar e a manifestação foi tranquila (veja fotos do protesto).

Brener resolveu ir ao Bandeirantes de saia na sexta-feira em solidariedade ao colega de outra turma João Braga, de 16 anos. Segundo Braga, na quinta-feira, 6, ele foi hostilizado pelo professor de Biologia Juvenal Schalch quando retornou à sala de aula com a roupa trocada com uma colega, durante comemoração da festa junina da escola. “O professor falou de forma séria para mim que se tratava de uma festa caipira e não uma festa gay. Fiquei muito irritado”, disse Braga, que em seguida foi mandado à diretoria.

Nesta segunda-feira, ele afirmou na entrada da escola que não imaginava tamanha adesão dos alunos ao protesto. "Estou muito emocionado de ver que tanta gente me apoiou", contou. Já seus colegas disseram estar surpresos com a postura do colégio.

"O Bandeirantes sempre foi liberal, aqui não há imposição de uniforme, então não esperávamos isso. O colégio tem de demonstrar sua liberdade e nova mentalidade não só tendo Wi-Fi, tem de deixar os alunos se vestirem e se expressarem do jeito que eles bem entenderem", afirmou Maria Carolina Blanco da Rocha Braga, de 16 anos.

Na entrada, alunas levaram saias para emprestar aos colegas homens e todos entraram juntos, sem bloqueios por parte da instituição, às 7h.  A diretoria afirmou ao Estado que não vai mais barrar os alunos trajando saias.

"Lamento pela participação de um aluno, de levar para redes sociais uma situação interna da escola que poderia ser resolvida usando os canais institucionais. Existe uma preocupação de segurança deles ao usarem saia em uma escola da Vila Mariana, onde percorrem pessoas de todos os segmentos da cidade. Os alunos do ensino médio têm livre acesso para sair e transitar pelo bairro. Existem grupos na sociedade fortemente discriminatórios e ouvimos nos noticiários agressões morais e até físicas", afirmou Mauro Aguiar, diretor-presidente do colégio.

"No dia da festa junina (quinta-feira, 6), foi um 'esculacho' ver o aluno vestido daquele jeito, aquilo não é uma forma alternativa de traje, pode ver nas fotos", afirmou Aguiar.

Outro lado

O professor Juvenal Schalch afirmou ao Estado que pediu para João Braga tirar a saia na quinta-feira porque o Bandeirantes tem estudantes de várias religiões e o traje poderia incomodar os demais colegas. "O aluno estava de minissaia e partes do corpo dele poderiam ficar expostas, incomodando outros alunos. Aqui nós temos judeus ortodoxos, adventistas, católicos da Opus Dei e alguém poderia se ofender. Encaminhei o aluno para o diretor", afirmou.

"Eu apenas brinquei que aquele dia não era de Parada Gay, que tinha sido no domingo anterior à festa junina. Foi uma brincadeira no corredor e alguém pescou e colocou fora do contexto. Fui interpretado errado. Não sou preconceituoso e minha formação profissional jamais me permitiria insultar um aluno. Hoje de manhã pedi desculpas ao João, mas expliquei que, se ele fosse vestido daquela forma, não o deixaria entrar para não incomodar os demais", disse.

Para lembrar

Alunos da Universidade de São Paulo (USP) foram às aulas vestindo saias em 16 de maio. A manifestação ocorreu em apoio a Vitor Pereira, estudante do curso de Têxtil e Moda da USP Leste, que no final de abril foi hostilizado nas redes sociais por ter ido à aula com a vestimenta. “Nunca quis causar”, falou. “O brasileiro acha que a roupa define a opção sexual. Ela expressa um estado de espírito”, fala o estilista João Pimenta, especializado na confecção de saias para homens.






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