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Áreas úmidas podem liberar 'bomba carbono', diz cientista

Os pântanos contêm 771 bilhões de toneladas de gases de efeito estufa, um quinto de todo o carbono da Terra

20 de julho de 2008 | 17h 44
DEBORAH ZABARENKO, CORRES - REUTERS

As áreas úmidas do mundo, ameaçadas

pelo desenvolvimento, desidratação e mudança climática,

poderiam liberar uma "bomba de carbono" de aquecimento do

planeta se forem destruídos, disseram cientistas do meio

ambiente neste domingo.

Os pântanos contêm 771 bilhões de toneladas de gases de

efeito estufa, um quinto de todo o carbono da Terra e cerca da

mesma quantidade de carbono que está atualmente na atmosfera,

disseram os cientistas que participam da Conferência

Internacional de Áreas Úmidas (Intecol, na sigla em inglês),

relacionando os pântanos com o aquecimento global.

Cerca de 700 cientistas de 28 países se reúnem esta semana

na Intecol, em Cuiabá (MT), nas proximidades do vasto Pantanal

brasileiro, em busca de meios para proteger essas áreas sob

risco.

Se todos os pântanos do planeta liberassem o carbono que

contêm, isso iria contribuir fortemente para o efeito estufa

relacionado ao aquecimento do planeta, disse o coordenador do

Programa de Meio Ambiente do Pantanal brasileiro, Paulo

Teixeira.

Nós poderíamos chamar isso de bomba carbono", disse

Teixeira por telefone, falando de Cuiabá, onde se realiza a

conferência. "É uma situação muito traiçoeira."

Áreas ùmidas não são apenas pântanos, elas também incluem

brejos, áreas lodosas, deltas de rios, tundras, mangues, lagoas

e planícies alagadas por rios.

Juntas, elas representam 6 por cento da superfície

terrestre do planeta e estocam 20 por cento de seu carbono.

Também produzem 25 por cento dos alimentos do mundo, purificam

a água, reabastecem aquíferos e atuam como zonas tampão contra

tempestades violentas em áreas costeiras.

Historicamente, as áreas úmidas vinham sendo consideradas

como entrave para a civilização.

Cerca de 60 por cento das áreas úmidas do mundo foram

destruídas no século passado, na maioria dos casos por causa de

drenagem para uso agrícola. Poluição, diques, canais,

bombeamento de águas subterrâneas, desenvolvimento urbano e

extração de turfa ampliaram a destruição.

"Com muita frequência no passado, por desconhecimento, as

pessoas consideraram as áreas úmidas como problemas que

requeriam uma solução, mas elas são essenciais para a saúde do

planeta", disse o subsecretário-geral da ONU e reitor da

Universidade Nações Unidas, Konrad Osterwalder. A ONU é uma das

promotoras da conferência.

Até agora, os impactos da mudança climática são pequenos em

comparação com as depredações provocadas pelo homem, disseram

os cientistas em um comunicado.

Teixeira admitiu que as áreas úmidas têm um problema de

imagem com o público, que geralmente tem boa disposição para

salvar a floresta tropical, mas não os pântanos.

"As pessoas não têm boa impressão das áreas úmidas porque

não conhecem o serviço para o meio ambiente que elas provêem",

disse ele.




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