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Avaliação internacional mostra que País tem avanço lento e abaixo do ideal na educação

Resultados do Pisa mostram que o País continua ocupando um dos últimos lugares na lista: entre os 65 avaliados, ocupa a 58ª posição

03 de dezembro de 2013 | 8h 00
Bárbara Ferreira Santos, Guilherme Soares Dias, Paulo Saldaña e Victor Vieira - O Estado de S. Paulo

Atualizado às 10 horas de quarta-feira, 4 de dezembro.

Apesar de estar entre os que mais avançaram na década, o Brasil continua entre os piores países em educação, conforme a principal avaliação do ensino básico feita no mundo. Com 402 pontos na média geral, o País ocupa o 58.º lugar entre os 65 países que participaram em 2012 do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa, em inglês). A média do exame é de 497 pontos.

Desde que a prova foi criada, em 2000, até hoje, o Brasil cresceu 33,7 pontos na média geral das três áreas do conhecimento avaliadas (Matemática, Leitura e Ciências). A diferença nessa média entre 2009 e 2012, no entanto, foi de apenas 1 ponto, o que indica o crescimento lento do País entre os exames.

Em 2012, 18.589 alunos do Brasil fizeram a prova, de acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). O Pisa é aplicado a cada três anos para alunos entre 15 e 16 anos dos 34 países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), considerados de primeiro mundo, e de convidados, como o Brasil. A cada edição do exame, uma área é enfatizada – desta vez, Matemática foi o foco.

Pode-se calcular a melhora do Brasil com base na primeira edição em que cada área do conhecimento foi o foco. Em Matemática, saiu de 356 pontos, em 2003, para 391 pontos em 2012. Desde 2000, a nota de Leitura melhorou 1,2 ponto por ano e, desde 2006, a média de Ciências aumentou 2,3 pontos por ano. Os alunos que têm as piores médias também melhoraram a performance em 65 pontos – o equivalente, segundo a OCDE, a mais de 1,5 ano de aprendizado.

O governo comemorou os dados, embora considere que alguns pontos teriam melhorado a posição do País no ranking (mais informações na página A19). O presidente do Instituto Alfa e Beto (IAB), João Batista Oliveira, também critica a amostragem de alunos avaliada, por não refletir a realidade do País. “As diferenças de série são muito grandes e há muita distorção idade/série.” Juntamente com Turquia, México, Chile, Portugal, Hungria, Eslováquia, Polônia e Casaquistão, o Brasil aparece no relatório como um dos países com contextos socioeconômicos mais desafiadores. Entre todos, fica em último lugar.

Já para Alípio Casali, professor da PUC-SP, os resultados mostram que dificilmente o País conseguirá atingir as metas estipuladas no Plano Nacional de Educação, que prevê média de 473 pontos no Pisa até 2021. “Isso preocupa mais porque foram objetivos traçados internamente.”

Proficiência. O maior problema do País ainda é o baixo nível de proficiência dos alunos: nas três áreas do conhecimento avaliadas, nenhum estudante atingiu o nível 6, o mais avançado de aprendizado. Já a maioria ficou entre os piores níveis. Em Matemática, por exemplo, 67,1% dos alunos avaliados alcançaram somente até o nível 1, o mais baixo – eram 69% em 2010. Isso quer dizer que eles não conseguem ir além de problemas básicos. Em Ciências, 53,7% atingiram até o nível 1 – entenderam apenas o óbvio. Já em Leitura, 75,3% se concentram nos níveis 2 e 3.

Segundo Ocimar Munhoz Alavarse, especialista em Educação pela Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), os estudantes saem do ensino fundamental sem saber o mínimo necessário. “Esses alunos que saem do ensino fundamental avaliados pela prova têm o desempenho que se espera de um aluno do 5.º ou 6.º ano.”

Já a diretora executiva do Todos pela Educação, Priscila Cruz afirma que, para melhorar as médias, é preciso reforçar a educação dos alunos com piores notas e garantir que aqueles que tenham notas medianas passem para o nível de excelência. “Sem isso, não melhoramos a nota no Pisa e nem teremos produção de valor agregado feita aqui”, reforça./Colaborou Guilherme Soares Dias.

Nota menor. Outros especialistas ouvidos pelo Estado destacam que a nota poderia ser ainda menor. Isso porque as escolas rurais não fazem parte do cálculo da média do Brasil no exame. De acordo com o relatório, elas não entraram porque não é possível identificar em todas qual é a real série do aluno e, para ser avaliado, é preciso estar no mínimo no 7.º ano.

Outro fator que puxaria a nota para baixo é que a maior parte dos estudantes avaliados (79,5%) está no ensino médio, enquanto a média da OCDE é de 69,9% nessa etapa de ensino. Isso significa que o brasileiro permanece mais tempo na escola, mas aprende menos.

A Finlândia, por exemplo, que tem 127,3 pontos a mais que o Brasil na média geral, tem a maioria de alunos avaliados (85%) no 9.º ano de ensino.






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